
24.6.09
13.6.09
Centro Cultural do Mindelo
Museus, Patrimónios e a Lusofonia
Por Isabel Victor e Bruno Ferro
Sexta-Feira, 12 de Junho, 2009
Noticías de um encontro coloquial em torno das seguintes temáticas:
- Revista NOVA ÁGUIA e MIL - Movimento Internacional Lusófono;
- Espólio fotográfico da Família Melo – um património centenário mindelense –, etapas para o estudo, diagnóstico e conservação deste valioso acervo de imagens, no âmbito de uma parceria entre a Câmara Municipal de Setúbal, a Câmara Municipal de S. Vicente e a Universidade Lusófona de Lisboa;
- Informação sobre atelier internacional do MINOM (Movimento Internacional para uma Nova Museologia), a realizar em Cabo Verde em 2011.
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Fotografias de Tiago Peixoto (Mindelo-Cabo Verde)
12.6.09
Lusofonias

Mindelo, 12 Junho – É apresentada esta tarde, no Centro Cultural do Mindelo, às 17 horas, a revista portuguesa Nova Águia. Já no seu terceiro número, esta revista é suportada pela Editora Zéfiro, pela Associação Marânus/Teixeira de Pascoaes e pela Associação Agostinho da Silva, e está ligada ao MIL, Movimento Internacional Lusófono. Com ligações a Espanha, Brasil e outras áreas da lusofonia, a revista é apresentada, também hoje e quase em simultâneo, em Luanda, na União dos Escritores Angolanos.
A apresentação em S. Vicente está a cargo de Isabel Victor, museóloga, directora do Museu do Trabalho Michel Giacometti (Setúbal), docente de museologia na Universidade Lusófona de Lisboa e membro Conselho Geral da revista Nova Águia, e por Bruno Ferro, coordenador do Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro (Setúbal), e também membro do Conselho Editorial da revista.
O Conselho Geral de Nova Águia integra alguns nomes ligados a Cabo Verde, designadamente Ana Isabel Correia e Silva, Jorge Sousa Brito, Luís Rendall Évora, Nuno Rebocho, Paulino Lima Fortes e Pedro José Silva.
Liberal sabe que está em vista a apresentação de Nova Águia na cidade da Praia, para o que ainda não há data designada. Os responsáveis pela revista estudam a melhor oportunidade para isso.
http://liberal.sapo.cv/
30.5.09
Tarde Intercultural Cigana no Museu


Casamentos mistos - vidas na palma da mãoMuseu do Trabalho Michel Giacometti
Telef 265537880
museu.trabalho@mun-setubal.pt
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29.5.09
A não perder

Duende is Webster's captivating memoir of the years he spent in Spain pursuing his obsession. Studying flamenco guitar until his fingers bleed, he becomes involved in a passionate yet doomed affair with Lola, a flamenco dancer (and older woman) married to the gun-toting Vicente, only to flee the coastal city of Alicante in fear for his life. He ends up in Madrid, miserable and lovelorn, but it's here that he has his first taste of the gritty world of flamenco's progenitors - the Gypsies whose edgy lives and fervent commitment to the art of flamenco vividly illustrate the path to duende. Before long he is deeply immersed in a flamenco underworld that combines music and dance with drugs and crime. After two years Webster moves on to Granada where, bruised and battered, he reflects on his discovery of the emotional heart of Spain.
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Duende: A Journey Into the Heart of Flamenco
Por Jason Webster
Edition: reprint
Edição de Broadway Books, 2004
ISBN 0767911679, 9780767911672
336 páginas
Duende: A Journey Into the Heart of Flamenco
Por Jason Webster
Edition: reprint
Edição de Broadway Books, 2004
ISBN 0767911679, 9780767911672
336 páginas
23.5.09
A Qualidade em Museus - Atributo ou imperativo ?
Isabel victor
Margarida Melo
"A Gestão da Qualidade é muito diferente da Qualidade. Caracteriza-se pelo sistema de organização que está por detrás para conseguir pôr em prática a Qualidade de uma forma permanente e consistente. Se não se conseguir definir Qualidade não se sabe o que se vai controlar ou gerir." (Ramos Pires 2005, excerto de entrevista publicada em Victor 2005)
Introdução
A ambiguidade de sentidos relativamente à noção "Qualidade em museus" pode levar a que todos estejamos, aparentemente, de acordo em alcançá-la mas absolutamente equivocados relativamente aos pressupostos dessa mesma Qualidade e aos caminhos para a atingir, tão somente porque partimos de diferentes conceitos e formas de articular o eixo Museu/Qualidade. O que nos entusiasma no modelo de auto-avaliação, multi-modo e aberto, preconizado pelo Sistema da Gestão da Qualidade, é o rigor dos critérios e a oportunidade de aprofundar estas categorias, a partir da recolha e selecção de evidências, da formulação rigorosa de critérios e variáveis, construídas a partir da identificação das necessidades e expectativas dos cidadãos-clientes do museu, como princípio e fim de toda a acção museológica.
Eixos teóricos da Qualidade em Museus- Quem disse o quê?
Um dos primeiros autores a salientar a importância dos princípios da gestão da qualidade aplicados aos museus foi Peter Ames, logo no início da década de 1990, propondo 38 indicadores de performance para os museus, divididos em seis categorias: 1) Acesso; 2) Finanças e infra-estruturas; 3) Angariação de fundos; 4) Recursos Humanos; 5) Marketing; 6) Exposições, colecções e educação. No mesmo ano, Middleton (1990) sugeria a adopção dos princípios da gestão da qualidade nos museus, especialmente no que dizia respeito à qualidade do produto e à orientação para o cliente. Porém, os responsáveis pelos museus mundiais mantiveram-se genericamente à margem destas recomendações, oferecendo certa resistência em assumir, para a gestão de um bem público, de cariz cultural, princípios usados no sector privado, industrial e comercial.
Sete anos mais tarde, Michael Fopp, na sua obra Managing Museums and Galleries (1997), traça o percurso histórico da gestão no contexto mundial desde inícios do século XX, reflectindo sobre o modo como os museus foram incorporando algumas dessas práticas. Para Fopp, um gestor a operar dentro do quadro da Qualidade verá, essencialmente, clientes e fornecedores numa cadeia interligada de prestação de serviços, dentro e fora da organização. Porém, a percepção da existência de clientes no universo museal é uma realidade recente, pelo que ainda não existe uma consciência generalizada de que um produto museal de qualidade é aquele que vai ao encontro das necessidades dos seus cidadãos-clientes, ao longo da cadeia de processos que ganhará visibilidade no resultado final e nos impactos que promove.
Será já no final da década que, numa obra de referência para a gestão museal, Management in Museum (coordenada por Kevin Moore 1999), surge uma contribuição de Carol Bowsher. O seu artigo pode ser considerado como uma das primeiras análises das valências da Qualidade Total quando aplicadas ao campo museal. Nele Bowsher investiga os impactos causados pela adopção dos princípios da TQM na gestão dos Museus da região de Leiscester, na Grã-Bretanha. Tratava-se de uma experiência pioneira e importava à autora compreender os ganhos, mas também as dificuldades trazidas por este novo modelo de gestão.
Segundo Carol Bowsher (1999), os museus são organizações que não se subtraem (ou não devem subtrair-se) à gestão por objectivos, pelo que, à partida, têm interesse em adoptar uma filosofia organizativa que vise a melhoria contínua dos seus processos e resultados. Porém, a sua complexidade interna e o carácter fortemente qualitativo dos seus resultados dificultam, no seu entender, avaliações de performance que enfatizem expressões quantitativas.
Segundo a autora, a implementação de um sistema de Gestão pela Qualidade Total na esfera museal pode ser minada por algumas condicionantes:
1) Falta de clareza e sentido nos objectivos – objectivos divergentes nos vários departamentos levam a relações tensas dentro da organização o que obviamente condiciona a qualidade da instituição e dos serviços que oferece.
“It is the lack of ‘process’ for creating and articulating goals that is more problematic than the more visible debate about what the goals should be (...) the involvement of all constituencies in goal-setting exercises and developing common philosophy will help overcome both board membership and departmental dissent.” (Bowsher, 1999: 247)
2) Complexidade da estrutura de gestão – A maior parte dos museus não tem autonomia, financeira e institucional, para levar a cabo alterações radicais e carrega muitas vezes o peso de uma estrutura burocrática combinada com uma forte hierarquização da gestão.
3) Parcos recursos – a crise do Estado Social (que entre outras funções chamava a si a função de assegurar a educação e a promoção da cultura dos seus cidadãos) vem impor constrangimentos sérios ao funcionamento dos museus, obrigados cada vez mais a trabalhar com menos recursos financeiros e humanos, o que por si só não favorece a implementação dos sistemas de gestão da qualidade. A adopção de um sistema de Gestão da Qualidade Total tem sérias dificuldades em implementar-se junto de funcionários descontentes e sobrecarregados:
“The current economic climate, it must be stated, is not conductive to the culture of TQM. It could well be argued that an environment of budget cuts and redundancies, is unfortunately more likely to develop a breeding ground for infighting and back stabbing, than one of trust and cooperation. (Bowsher 1999: 248)
Ainda nos últimos anos da década de 1990, de 30 de Setembro a 4 de Outubro de 1997, o European Museum Forum efectua o seu workshop anual em Itália subordinado ao tema “Public Quality in Museums”. Este encontro teve um efeito de “contaminação” junto de alguns museólogos italianos, que ficaram especialmente interessados em desenvolver a temática da Gestão da Qualidade aplicada ao sector museal. Assim, no ano de 2000, com o apoio do European Museum Forum, realiza-se em Cortona, Itália, uma acção de formação para profissionais de museus, intitulada “Musei: la qualità come strumento di innovazione”. Deste curso resulta a obra Museo e cultura della qualità, publicada em 2001 e coordenada por Massimo Negri e Margherita Sani.
A obra desenvolve-se em duas partes: a primeira com contribuições que avaliam as vantagens da aplicação da Gestão da Qualidade aos museus contemporâneos, abordando questões como os standards museais, as questões éticas implicadas, os critérios da qualidade e as limitações à medição dos resultados dos processos museais; a segunda parte dedicada aos documentos e instrumentos disponíveis para desenvolver o estudo desta temática.
Mais recentemente, em 2004, surge um novo contributo para esta discussão, desta vez pela mão de François Mairesse, com a publicação da obra Missions et Évaluation dês Musées – Une enquetê à Bruxelles et en Wallonie. Nela, Mairesse elenca os vários tipos de avaliação que, ao longo de décadas, foram sendo aplicados ao “rizoma museal”: dos relatórios de actividades aos inquéritos de públicos, passando pela acreditação e pelos os indicadores de performance.
Como contraponto, François Mairesse propõe uma “avaliação global” (2004: 213) que vise o conjunto das missões (técnicas, axiológicas e funcionais) e o conjunto de actores reunidos na rede museal. Esta avaliação desenvolver-se-á em torno de seis eixos fundamentais:
1) os actores, com total representatividade dos implicados nas acções museais;
2) os objectivos da avaliação como resultado de um acordo alargado sobre o funcionamento do museu;
3) o contexto de avaliação;
4) o objecto a avaliar, considerando o conjunto de técnicas, funções e axiomas;
5) o método;
6) o referencial que posiciona o museu num contexto geral de rede ou rizoma.
A avaliação, assim entendida, teria como mérito fundamental a reflexão axiológica sobre o fazer museal, hoje em dia praticamente arredada das grandes linhas de discussão (Mairesse, 2004: 214-215).
Estes são alguns dos principais contributos que permitem apreciar as valências da Gestão da Qualidade aplicada ao campo museal. Tratam-se de visões diversas que em comum têm o desejo de contribuir para um reposicionamento da gestão e avaliação museais, subtraindo-as à lógica da mera contabilidade de públicos e das estratégias do marketing tradicional.
A Qualidade nos museus portugueses
O Museu do Trabalho Michel Giacometti* e os serviços educativos dos Museus Municipais de Setúbal, foram pioneiros no uso das ferramentas da Gestão da Qualidade. Este exercício permitiu identificar processos, salientar pontos fortes e pontos fracos, medir e publicar os seus resultados de desempenho, com recurso à CAF – common assessment framework e a comparar-se objectivamente, através de nove critérios e vinte e três sub-critérios, previamente definidos pela ferramenta auto-avaliativa, com outras organizações de natureza afim e/ou diferenciada, que perseguem objectivos sociais e culturais. Este estudo de caso está amplamente divulgado no número 23 dos cadernos de Sociomuseologia, edições da Universidade Lusófona, dedicado ao tema.
A experiência daí resultante tem servido de reflexão, em meio universitário e museológico, espelhada nas boas práticas que o próprio museu adoptou, na prossecução da sua missão, assente na participação como processo-chave da Qualidade e na busca da melhoria contínua, resultante da auto-avaliação e da constante revisão dos procedimentos inspirados no primado da pessoa, como enfoque primordial da acção museológica.
Resultante de estudos, encontros e reflexões sobre o tema foi criada, no âmbito da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, a página http://www.museologia-portugal.net/, disponível online, desde 2006, ano em que teve lugar, em Lisboa, no Instituto Português da Qualidade, o XIII Encontro Nacional Museologia e Autarquias, subordinado ao tema "A Qualidade em museus”.
Mais recentemente, no âmbito de uma investigação de mestrado, quatro serviços educativos de museus nacionais prestaram-se a uma experiência de auto-avaliação, baseada na ferramenta Inspiring Learning for All, desenvolvida na Grã-Bretanha pelo Museums Libraries and Archives Council. Esta investigação está publicada no nº 32 dos Cadernos de Sociomuseologia.
Neste exercício, o Museu Nacional de História Natural, o Museu do Trabalho Michel Giacometti, a Casa Museu Anastácio Gonçalves e o antigo Centro de Exposições do CCB aceitaram o desafio avaliativo manifestando concordância e apetência pelas suas virtualidades:
“Este inquérito permitiu a verbalização de algumas questões e preocupações intuídas mas nunca sistematizadas.” (Melo 2009: 115)
providenciando uma:
“Oportunidade de esclarecer a importância de questões que apesar de conhecidas não estavam priorizadas.” (Melo 2009: 115)
Nestes momentos de apreciação evidencia-se o carácter pedagógico da avaliação, privilegiando o carácter processual da museologia social e o aprendizado do erro.
A Participação como Processo-chave da Qualidade
Na perspectiva da Museologia Social, o museu encontra inequívoco sentido na participação dos cidadãos. A participação é transversal a todo o processo museológico gerado na dinâmica da comunidade como resposta aos seus anseios e necessidades. O que confere Qualidade a este museu, que designamos de novo tipo, é o facto dele ser reconhecido como obra inacabada de um colectivo, reflexo das contradições de uma comunidade em mudança. É através da participação em processos museológicos que os museus, identificados com os princípios da museologia social, constroem as suas missões. Os museus comprometidos com o desenvolvimento e a não exclusão, optam por romper a armadura institucional e interagir numa rede social composta por pessoas, unidades sociais (famílias), grupos socioprofissionais e outros, portadores de conhecimento, memórias, problemas, de modos de pensar e fazer diferenciados, que intervêm, com as suas visões multi-modas, na identificação, classificação e reinvenção dos patrimónios, em processos que contribuem para a qualificação da cultura.
Maria Célia Santos, em entrevista concedida a Mário Chagas (1998), a título de conclusão, adverte os profissionais dos museus “para que olhem para os museus para além dos museus (...); que o fazer museológico produza conhecimento e seja impregnado de vida (...) em permanente abertura para avaliar os processos museais e para a auto avaliação;(...) que procurem, constantemente, a qualidade formal e a qualidade política, assumindo o compromisso social e o exercício da cidadania.
Nesta perspectiva, alia-se claramente qualidade à participação dos sujeitos envolvidos nos processos museológicos, como base do conhecimento musealizado a partir da socialização dos diversos processos museológicos (pesquisa, preservação e comunicação).
A participação, como parâmetro fundamental da qualidade em museus, perspectivados a partir da comunidade e das necessidades dos cidadãos (acervo de problemas, no dizer de Mário Chagas), é um aspecto axial da Nova Museologia, pelo que deverá merecer elevada ponderação na avaliação e auto avaliação em museus identificados com o seu paradigma. A noção de auto avaliação engloba também, na categoria de cidadãos-clientes, os trabalhadores dos museus, a sua participação e conhecimentos induzidos pela sua especificidade profissional; categoria de primordial importância que não é captada nos estudos tradicionais de públicos, orientados exclusivamente para a avaliação dos produtos finais e das manifestações associadas ao "consumo". O acto constitutivo do fazer museológico, assente na participação, nos processos e na mudança social, essência da Nova Museologia, resulta num impacto para a comunidade (de que o museu e seus problemas são parte activa), teoricamente referenciado como categoria de análise do fenómeno museológico, mas que, na prática, não é avaliado/ medido por falta de descritores/ indicadores e de ferramentas adequadas.
Daqui se infere que os modelos convencionais de estudos de públicos em museus e as grelhas de avaliação por eles aplicados não servem para captar, em toda a sua extensão, a qualidade formal e a qualidade política que distingue o fenómeno museológico gerado pela Nova Museologia. A exposição, função axial da museologia tradicional é, por excelência, o objecto dos estudos de públicos , sinónimo de avaliação em museus. A museografia e as suas múltiplas narrativas, ocupam, na museologia social, um patamar distinto daquele que detém a clássica exposição, na museologia tradicional. Na cadeia operatória dos procedimentos museológicos , identificados com a Nova Museologia , a expografia é uma disciplina estruturante das narrativas diferenciadas que informam o discurso museológico. A exposição, assim entendida, é um processo transversal que resulta da interacção de vários processos museológicos (conservação, documentação, exposição, acção educativa) e não um produto de final de linha. A este propósito refere-se Cristina Bruno (2002): “A operacionalização desta cadeia de procedimentos técnicos e científicos – interdependentes – distingue e qualifica os discursos expográficos dos museus em relação a outras formas de exposições."
Qualidade, na asserção etimológica do termo, é exactamente o que nos distingue o que nos torna diferentes o que nos confere raridade (preciosidade). Se atentarmos ao que afirma Cristina Bruno (2002), a avaliação em museus deveria, através de indicadores pré – definidos, conseguir captar / medir a eficácia dos procedimentos técnicos e o seu nível de interdependência. Na perspectiva do novo paradigma da Museologia e tendo como referência os sistemas da gestão da qualidade, esta forma de avaliação e auto avaliação será, eventualmente, a mais habilitada para captar a realidade museológica contemporânea - multidisciplinar , estimuladora de diálogos interculturais e participativa, na medida em que os processos museológicos não estão confinados ao museu no sentido institucional do termo.
A aplicação do processo museológico na perspectiva de Maria Célia Santos (2002), “não está restrita à instituição museu, ele pode anteceder á existência objectiva do museu ou ser aplicado em qualquer contexto social.
Nesta noção de processo museológico não tem sentido avaliar produtos dissociados de quem os produz e dos contextos dessa mesma produção. A qualidade associada á participação, mede-se pela eficácia do diálogo e a interacção que se estabelece entre os vários sujeitos na acção, em processos de auto-avaliação. Os resultados evidenciados constituem incentivo a melhorias continuas, traduzidas por novas práticas sociais associadas á participação, cidadania e ao desenvolvimento.
Avaliar os processos museológicos e a Qualidade por eles gerada, com base na participação é, pois, muito mais exigente e qualitativamente diversa da avaliação de produtos finais, independentemente da sua qualidade intrínseca que não é posta em causa, ou do seu impacto momentâneo medido pela maior ou menor adesão dos públicos. Os museus inseridos na comunidade e comprometidos com o desenvolvimento opõem a participação à exclusão, o dialogo à intransigência e o conhecimento partilhado e gerido à meritocracia. A este propósito, Maria Célia Santos (1999) refere "ao reflectir sobre o processo muselógico, inserindo nas demais praticas sociais, a partir de uma auto critica das nossa vivências (...) que possamos assumir o nosso compromisso social com qualidade, o que, implica participação, imersa em nossa pratica cotidiana. Ainda Pedro Demo (1994, citado por Maria Célia Santos), salienta que “Qualidade é participação (...). É a melhor obra de arte do homem em sua história, porque a história que vale a pena, é aquela participativa (...) com o teor menor possível de desigualdade, de exploração, de mercantilização, de opressão”.
Concluindo, os Sistemas de Gestão da Qualidade promovem uma filosofia empresarial que concilia estratégia, visão e operacionalização. Para isto é essencial definir a missão e difundir a visão, bem como os valores, as metas e objectivos a atingir, fomentando práticas comunicacionais transversais e pouco hierarquizadas e envolvendo os funcionários através da “investidura de poder” (empowerment). Enquanto sistema, a Qualidade Total depende em absoluto de todas as partes, pelo que todos os agentes devem estar conscientes do seu papel. Mas mais importante, todos os agentes devem ter sido alvo de um investimento prévio (de informação, de formação e de confiança) para que possam desenvolver as competências necessárias aos distintos processos museais.
Acreditamos que os museus portugueses caminham inevitavelmente para a operacionalização destes conceitos e para adopção destas ferramentas, como garante da sua sustentabilidade. Os estudos de caso que realizámos deixaram-nos bem clara a necessidade de prosseguir, de incorporar o maior número possível de contributos, de pessoas interessadas na causa do património e da museologia como valores estratégicos do desenvolvimento e da inclusão.
Bibliografia
AMES, Peter (1990) “Breaking Grounds. Measuring museum’s merits.” in Museum Management and Curatorship, 9, 1990 apud Mairesse (2004)
BOWSHER, Carol (1999) “Total quality Management in Museum: an investigation into the Adaptive Relevance of TQM in the Museums” in Moore (ed.), Management in Museums, London, Atalone Press
BRUNO, Cristina (2002) "Entre a museologia e museografia : Propostas, problemas e tensões", Seminário Internacional (policopiado)
CHAGAS, Mário de Souza (2000) Memória e poder: Dois movimentos, in Cadernos de Sociomuseologia nº19, Lisboa, Edições Universitárias Lusófonas.
FOPP, Michael A. (1997) Managing Museums and Galleries, London/New York, Routledge
MAIRESSE, François (2004) Mission et Évaluation des Musées – une enquetê à Bruxelles et en Wallonie, Paris, L’Harmattan
MELO, Isabel Margarida (2009) O Museu Inspirador, Caderno de Sociomuseologia nº 32, Lisboa, Edições Universitárias Lusófona
MIDDLETON, V. (1990) “Irresistible demand forces”, in Museums Journal, 31-4 apud Bowsher in Moore (ed.), Management in Museums, London, Atalone Press
NEGRI, Massimo & SANI, Margherita (Coord.) (2001) Museo e cultura della qualità, Bologna, Clueb
SANTOS, Maria Célia (2002) Processo Museológico: critérios de exclusão
IVFórum de Profissionais de Reservas Técnicas de Museus, Salvador-BA, Novembro de 2002, organizado pelos Conselho Federal de Museologia – COFEM e Conselho Regional de Museologia, 1a. Região – COREM-BA.
VICTOR, Isabel (2005) Os Museus e a Qualidade – Distinguir entre museus com “qualidades” e a qualidade em museus, Lisboa, Cadernos de Sociomusologia nº 23, Edições Universitárias Lusófonas
* O Museu do Trabalho Michel Giacometti é um museu temático, criado em 1987, sob tutela do município de Setúbal. Inicialmente designado por Museu do Trabalho, veio a assumir o nome de Michel Giacometti, após a morte do etnomusicólogo corso, que dedicou grande parte da sua vida ao estudo da cultura portuguesa e que coordenou, após a revolução de Abril de 1974, a recolha da colecção Etnográfica que esteve na génese do museu. O museu está hoje instalado numa antiga fábrica de conservas de peixe, símbolo da industria que marcou a história e memória da cidade. O Programa museológico é da autoria de Ana Duarte, Fernando António Baptista Pereira e Isabel Victor e o projecto de arquitectura da autoria de Sérgio Dias.
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Ideias-chave :
Missão - o compromisso com os cidadãos-clientes e a razão de existência do museu
Visão - o que define projectivamente o rumo do museu
Valores - o que distingue e confere sentido ao fazer museológicoO primado da pessoa - príncipio e fim de toda a acção museológica
Avaliação e auto-avaliação - um olhar sobre si prório, uma oportunidade para melhorar
O Aprendizado do erro - exercício descomplexado, livre e inclusivo de auto-reflexão
A sustentabilidade - caminho e imperativoA Gestão da Qualidade - sistema, estratégia, linguagem instrumental (metalinguagem), ferramenta de categorização/nomeaçao (reconceptualização)
Medir e comparar - operações fundamentais de auto-conhecimento; plataforma comum de diálogo inter-organizacionalImpacto na sociedade - input e output do sistema museal (construção de indicadores)
Abordagem por processos - agelizar, monitorizar, meio de explicitar e compreender o caracter processual da organização ("a caixa negra " da Museologia Social)
Monitorizar - garante das rotinas museais, normalização de funções, qualidade dos serviços (a maior eficácia ao menor custo, com o menor esforço)
Identidade socio-profissional e cultura organizacional - Uma forma específica de agir e pensar na optica museal
Cadeia operatória - a especificidade de operações, procedimentos e actos técnicos que comporta o fazer museológico
A participação - o processo-chave da Qualidade em museus (o que diferencia e qualifica a acção museológica)
Desempenho ambiental - processo-chave da organização museu e garante de sua sustentabilidade
Selecção das evidências - sistematização/ordenação/categorização dos factos que testemunham o caminho feito (lastro e a memória da organização museu)
A Gestão do conhecimento e da informação - o poder (empowerment) que advém do saber, amplificação da capacidade de decisão cívica e política.
Inovação - o que flui e inspira a acção museológica
Satisfação - o limite para que tende o sistema museal orientado para o cidadão-cliente
Satisfação - o limite para que tende o sistema museal orientado para o cidadão-cliente
Novo paradigma museal - do Museu/ produtos para o do Museu/resultados
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25.4.09
Museando ao Sábado. Call centers em debate no Museu do Trabalho

Museu do Trabalho Michel Giacometti
Largo dos Defensores da República
2910-470 Setúbal
museu.trabalho@mun-setubal.pt
museutrabalho@iol.pt
Tel (+351) 265 537 880
Fax (+351) 265 537 880
Largo dos Defensores da República
2910-470 Setúbal
museu.trabalho@mun-setubal.pt
museutrabalho@iol.pt
Tel (+351) 265 537 880
Fax (+351) 265 537 880
16.4.09
Cultura . Gestão . Qualidade . Sustentabilidade . Eficácia social

15 a 17 de Abril de 2009, Pousada do Convento da Graça em Tavira
Nos últimos anos, consequência da evolução da sociedade portuguesa, construíram-se no País muitas infraestruturas culturais que vieram a enriquecer a vida das cidades e a oferta cultural das regiões, permitir o acesso ao conhecimento e à diversidade da criação artística. No Algarve foram também concebidos e construídos alguns equipamentos (bibliotecas, teatros, museus, …) e estão projectados para os próximos anos diversos outros espaços culturais por quase toda a região. Este seminário, de problemática actual, constitui uma oportunidade para reflectirmos conjuntamente a arquitectura e funcionalidades dos espaços culturais e a sua adequação às necessidades sociais, artísticas e tecnológicas, os modelos de gestão (sociedades público-privadas, empresas municipais, fundações, departamentos,…) de cuja escolha dependem a sustentabilidade económica e uma maior eficácia social.
Nos últimos anos, consequência da evolução da sociedade portuguesa, construíram-se no País muitas infraestruturas culturais que vieram a enriquecer a vida das cidades e a oferta cultural das regiões, permitir o acesso ao conhecimento e à diversidade da criação artística. No Algarve foram também concebidos e construídos alguns equipamentos (bibliotecas, teatros, museus, …) e estão projectados para os próximos anos diversos outros espaços culturais por quase toda a região. Este seminário, de problemática actual, constitui uma oportunidade para reflectirmos conjuntamente a arquitectura e funcionalidades dos espaços culturais e a sua adequação às necessidades sociais, artísticas e tecnológicas, os modelos de gestão (sociedades público-privadas, empresas municipais, fundações, departamentos,…) de cuja escolha dependem a sustentabilidade económica e uma maior eficácia social.
Programa
15 de Abril (4ª feira)
18h30 - Sessão de abertura José Macário Correia (Presidente da CM de Tavira), João Guerreiro (Reitor da Universidade do Algarve), Gonçalo Couceiro (Director Regional de Cultura do Algarve), João Belo Rodeia (Presidente da Ordem dos Arquitectos Portugueses), Jorge Barreto Xavier (Director Geral das Artes), Jorge Queiroz (Presidente da Direcção da AGECAL)
19h30 - Conferência Equipamentos culturais: algumas reflexõesMiguel Lobo Antunes (Gestor cultural, Administrador da Culturgest)
20h30 - Beberete / jantar volante no Palácio da Galeria / Museu Municipal de Tavira
21h30 - Espectáculo nos claustros da Pousada de N. Sr.a da Graça
19h30 - Conferência Equipamentos culturais: algumas reflexõesMiguel Lobo Antunes (Gestor cultural, Administrador da Culturgest)
20h30 - Beberete / jantar volante no Palácio da Galeria / Museu Municipal de Tavira
21h30 - Espectáculo nos claustros da Pousada de N. Sr.a da Graça
16 de Abril (5ª feira)
Painel Espaços culturais: arquitecturas e funcionalidades
10h00 - Conferência Arquitectura e espaços culturais
João Luís Carrilho da Graça (Arquitecto, Prémio Pessoa 2008)
11h00 - Intervalo
11h15 - Conferência Teatro: conceitos gerais e aplicação nos Planos de Espaços Cénicos (Sevilha e INAEM)
11h00 - Intervalo
11h15 - Conferência Teatro: conceitos gerais e aplicação nos Planos de Espaços Cénicos (Sevilha e INAEM)
Juan Ruesga (Arquitecto, Prémio Manuel de Falla 2008)
12h15 - Debate
12h15 - Debate
Moderação: Conceição Pinto (Arquitecta, AGECAL)
Intervenientes: Juan Ruesga (Arquitecto), João Luís Carrilho da Graça (Arquitecto), Tiago Monte Pegado (Arquitecto, Ordem dos Arquitectos Portugueses), Vitor Correia (encenador e actor) entre outros
13h00 - Almoço
13h00 - Almoço
Painel Gestão de infraestruturas culturais: experiências portuguesas
Direcção de mesa: Rui Parreira (Arqueólogo, AGECAL)
14h30 - Gestão de infraestruturas culturais em Guimarães
José Bastos (Director do Centro Cultural de Vila Flor)
15h00 - Foz Côa – gestão de um museu de paisagem
15h00 - Foz Côa – gestão de um museu de paisagem
Alexandra Cerveira Lima (Directora do Parque Arqueológico do Vale do Côa)
15h30 - Óbidos Patrimonium – gestão de uma empresa municipalRicardo Ribeiro (Administrador Óbidos Patrimonium)
16h00 - Intervalo
15h30 - Óbidos Patrimonium – gestão de uma empresa municipalRicardo Ribeiro (Administrador Óbidos Patrimonium)
16h00 - Intervalo
Direcção de mesa: Graça Cunha (Bibliotecária, AGECAL)
16h15 OPART – Teatro São Carlos e CNB: um modelo de empresa pública
Carlos Vargas (Administrador d' OPART) e Fernanda Rodrigues (Coordenadora do Gabinete Jurídico d' OPART)
16h45 - Évoraculta – empresa municipal de Évora
16h45 - Évoraculta – empresa municipal de Évora
José Ernesto Oliveira (Presidente da CM de Évora)
17h15 - A Gestão da Qualidade em museus
17h15 - A Gestão da Qualidade em museus
Isabel Victor (Chefe de Divisão de Museus da CM de Setúbal)
17h45 - Intervalo
18h00 - Debate Que modelos de gestão para as infraestruturas culturais?
Moderação: Jorge Queiroz (Sociólogo, AGECAL)
Intervenientes: Rui Parreira (ex-director da Fortaleza de Sagres), José Bastos (Director do Centro Cultural de Vila Flor), Alexandra Cerveira Lima (Directora do Parque Arqueológico do Vale do Côa), Ricardo Ribeiro (Administrador Óbidos Patrimonium), João Ventura (Director do Teatro Municipal de Portimão- TEMPO), José Ernesto Oliveira (Presidente da CM de Évora), Carlos Vargas (Administrador d' OPART), Ricardo Ribeiro (Administrador Óbidos Patrimonium), Isabel Victor (Chefe de Divisão dos Museus da CM de
Setúbal)
17 de Abril (6ª feira)
Painel Algarve: novos equipamentos, novos modelos de gestão?
10h00 - Equipamentos culturais em Portimão : o Teatro e o Museu MunicipalJoão Ventura (Director do Teatro Municipal de Portimão- TEMPO ) e José Gameiro (Director do Museu Municipal de Portimão)
10h30 - Faro: Teatro das Figuras e projecto Museu de Arte ContemporâneaPaulo Neves (Administrador do Teatro das Figuras), Conceição Pinto (Directora de Departamento da CM de Faro) e Dália Paulo (Directora do Museu Municipal de Faro)
11h00 - Intervalo
Direcção de mesa: Manuela Teixeira (Conservadora-restauradora, AGECAL)
11h15 - Projectos em Tavira e a gestão prevista: Fórum Cultural, Rede Museológica de Tavira e Centro de Arte ContemporâneaElsa Cordeiro (Vereadora da Cultura e Urbanismo da CM de Tavira)
11h45 - O Centro de Ciência Viva de Lagos: concepção e gestãoRui Loureiro (Director de Departamento da CM de Lagos), Frederico Paula (Coordenador do Gabinete de Planeamento Estratégico e Projectos Municipais da CM de Lagos)
12h15 - Debate Moderação: Dália Paulo (Museóloga, AGECAL)Intervenientes: Vasco Vidigal (galeria ArteAdentro), Tela Leão (Programadora Expo Saragoça), Pedro Ramos (Al-Mashra Teatro)
13h00 - Almoço
Direcção de mesa: Luísa Ricardo (Antropóloga, AGECAL)
14h30 - Rede de infraestruturas culturais de LouléJoaquim Guerreiro (Chefe de Gabinete da CM de Loulé), Luísa Martins (Directora de Departamento da CM de Loulé) e Luís Guerreiro (Chefe de Divisão da CM de Loulé)
15h00 - Criação e gestão de infraestruturas culturais em OlhãoFrancisco Leal (Presidente da CM de Olhão) e Graça Cunha (Directora de Departamento da CM de Olhão)
15h30 - Projectos museológicos em Albufeira: o Museu do Barrocal António Nabais (Museólogo) e Patrícia Baptista (Museu Municipal de Arqueologia)
16h00 - Experiências da gestão de espaços culturais em São Brás de AlportelVítor Guerreiro (Vereador da Cultura da CM de São Brás de Alportel)
16h30 - Intervalo
17h00 - Debate Novos equipamentos, nova gestão. Que perspectivas para o Algarve?
Moderador: José Carlos Barros (Vice-Presidente da CM de Vila Real de Santo António) Intervenientes: Isabel Soares (Presidente da CM de Silves), Pedro Costa (Jornalista, Director do jornal “O Algarve”), Elisabete Rodrigues (Jornalista, Chefe de Redacção do jornal “Barlavento”) e Henrique Dias Freire (Jornalista, Director do jornal “Postal do Algarve”)
18h00 - Encerramento
10.4.09
Museus e Pós-Modernidade

Edição: Universidade Técnica de Lisboa - Instituto de ciências Sociais e Políticas, 2008
Descrição Física: 490 p.
ISBN 978-989-646-003-7
Esta obra resulta da investigação realizada no âmbito da preparação de uma tese de doutoramento em ciências sociais, especialidade em Antropologia cultural, apresentada no Instituto de ciências Sociais e Políticas em Janeiro de 2007.
Sobre o livro:
A presente obra debruça-se sobre as configurações dos museus na contemporaneidade, analisando a relevância social e cultural destas instituições enquanto protagonistas de processos de produção, representação e consumo de significados, no contexto de uma condição global pós-moderna. A redefinição do conceito de museu, a sua politização, a renegociação do seu relacionamento com os públicos e a democratização do acesso são alguns dos desafios com que se deparam estas instituições e que se reflectem na construção de múltiplas significações associadas ao seu papel e ao seu lugar nas sociedades contemporâneas. Este livro pretende, pois, oferecer uma reflexão sobre as teorizações e os modelos museológicos mais recentes, com particular incidência no “pós-museu”, e as práticas e dinâmicas de adaptação a contextos locais, em articulação com a temática das politicas culturais e os usos instrumentais da cultura.
Marta Anico. Doutorada em Ciências Sociais (na especialidade de Antropologia Cultural), é professora auxiliar no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa. Co-editora com Elsa Peralta das obras “Patrimonio e Identidade. Ficções Contemporâneas (Celta, 2006) e “Heritage and Identity” (Routledge, 2008), a sua produção científica incide nas temáticas do património, museus, práticas e representações culturais e, mais recentemente, nas políticas da cultura.
(Informação extraída da contracapa do livro)
1.3.09
Michel Giacometti - Museu do Trabalho

Giacometti elaborou, em 1975, um projecto de recolha popular, a que chamou Plano de Trabalho e Cultura, no quadro do então recém-criado Serviço Cívico Estudantil.
No Verão desse ano, mais de uma centena de jovens respondeu ao apelo do musicólogo francês e varreu alguns concelhos do país em busca de instrumentos musicais e de trabalho, utensílios domésticos, fotografando e registando sons de exemplares vocais e instrumentais, lendas, histórias e recolhendo informação sobre medicina popular. Estabeleceu-se que a maior parte desta informação ficasse à guarda do INATEL (ex-FNAT, Federação Nacional para a Alegria no Trabalho), entidade em cujo processo de reestruturação Giacometti estava fortemente empenhado e para o qual propunha a criação de um Centro de Documentação Operário-Camponês (que devia substituir o Grupo de Etnografia e Folclore da instituição) e de um Museu do Trabalho. Pouco tempo depois, Giacometti saiu do INATEL em conflito com a organização e muito do espólio recolhido seria doado pelo próprio INATEL à Câmara de Setúbal, que tinha manifestado interesse na aquisição. Durante muitos anos o Museu do Trabalho foi um projecto sem espaço físico, até que a Câmara de Setúbal adquiriu uma unidade de indústria conserveira fechada desde a década de 60.
Museu do Trabalho e Reserva etnográfica Michel Giacometti (Setúbal), de Terça a domingo, 9h30-18h.
Contacto: 265 537880
alfaias agrícolas, máquinas e ferramentas, ofícios, objectos de uso quotidiano, luminárias e utensilagem doméstica
fonte: Jornal Expresso
2.2.09
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El Imparcial - El mejor diario de OaxacaMuseos comunitarios, luchan contra exclusión social Debido a las grandes diferencias económicas que los países llegan a concentrar , “los museos comunitarios arraigan en sus bases una lucha para erradicar las diferencias sociales” Vidal PINEDA VÁSQUEZ | |
Buscar el equilibrio social y eliminar cualquier tipo de diferencia racial que llegue ha existir entre las culturas, es uno de los objetivos principales que buscan los museos comunitarios, señaló el representante del Ecomuseo de Santa Cruz, Río de Janeiro, Brasil, Bruno Cruz de Almeida.Debido a las grandes diferencias económicas que los países llegan a concentrar en sus núcleos sociales, a decir de Cruz de Almeida, los museos comunitarios arraigan en sus bases una lucha para erradicar las diferencias sociales, “una lucha contra la exclusión y favor de la inclusión cultural”. “Se lucha contra ésto porque en cada uno de estos museos existentes en Brasil, se promueve el conocimiento de la historia para una mejor comprensión del presente y del futuro. Estas instituciones están en contra de la exclusión y a favor de la inclusión, porque en siglos anteriores hubo una discriminación social, y en este siglo se debe de luchar por la inclusión social, hoy en todo el mundo lucha contra esta exclusión, lo importantes es mantener un equilibrio social, eliminar estos abismos entre las sociedades”, comentó. Por tal motivo y debido a la importancia que ésto llega a tener en los diferentes sectores sociales, la creación de museos comunitarios en Brasil ha permitido la estructura de una Asociación Brasileña de Museos Comunitarios y Ecomuseos que promueven la convivencia y el reconocimiento cultural de las comunidades, explica el brasileño. Y agrega: “Por ejemplo, en las favelas brasileñas, los barrios más pobres localizados en los cerros de este país centroamericano, cuentan son su propio museo, a través del cual buscan el rescate de su historia y luchan para que los sectores mejor posicionados económicamente, los incluyan como parte de la sociedad brasileña y no como entes distintos”. “Cuando en Santa Cruz surgió el museo, el Gobierno envió un comité para el rescate de la memoria histórica, y así fue como gente de otras partes de Río de Janeiro contagiaron a esta comunidad, para que fueran ellos quienes sintieran la necesidad de rescatar su historia, la cual no estaba representada nacionalmente, pues no se hablaba de Santa Cruz, la historia de esta comunidad no existía”. Siendo participante el Tercer Taller de Facilitadores de Museos Comunitarios de América, que desde hace una semana se lleva a cabo en nuestra ciudad, Cruz de Almeida finalmente señaló, que proyectos como éste permiten un intercambio interesante de culturas, lo cual conduce a un enriquecimiento social, ya que para él y sus compañeros es importante “ampliar y fortalecer el orgullo de las comunidades”. | |
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30.1.09

FICHE D’ ÉVALUATION AUTOCRITIQUE
D’ UN ALTERMUSÉOLOGUE DU MINOM.
Pierre Mayrand, le 30 janvier 2009-01-31
On se souviendra que la fiche d´ évaluation proposée par le MINOM Int., a pour fonction d’ illustrer par des démarches jugées exemplaires par l’ auteur un processus en cours afin de créer une banque de références pouvant répondre à la question <> selon les contextes , les personnalités, le niveau de compréhension , d’ assimilation et de transposition de certains paramètres connus.
QUELLES LIMITES: COMBIEN DE TEMPS ENCORE, UN BILAN PROVISOIRE DE MA CONTRIBUTION AU MUSÉE COMMUNAUTAIRE DE CARRAPATEIRA (Pt, Algarve) ? Une intervention provoquée par une question de J.Fr. Leclerc (Qc, Can ) <>… qui lui est posée régulièrement par ses étudiants, à la fois séduits par l’ idée ( Faire du neuf ) et sceptiques devant l’ enchevêtrement des notions et des positions. Je tente toujours de répondre simplement, autant que faire se peut, qu’ il s’ agit d’ une attitude face au monde et à son explication, de privilégier l.e questionnement social, politique et culturel sur le devenir de nos sociétés, de se sentir entraîner par une cause, de chercher à mettre celle-ci à profit dans la création muséale libérée de toute entrave, de se donner la peine d’ explorer les essais de typologie existants, d’ aller expérimenter de prés, aussi éloignés qu’ ils fussent, les milieux où ça se passe. Pour l’ étudiant, brûler les cahiers de classe. Pour le professionnel, prendre une marge de distance avec la RÉGLE de l’ INSTITUTION. Encore mieux, DESCENDRE DANS LA RUE.
BILAN DE L’ AUTEUR.
Venu à Carrapateira, en 2004, fréquentant le Portugal depuis 1974, je fus amené par la Directrice du MMTC et les autorités municipales à validert le projet d’ un musée-territoire, dans une perspective de la Nouvelle muséologie dont la Directrice était une adepte.
Le diagnostic fut favorable, le contexte géographique et politique étant favorable à une telle initiative. Le projet prit, d’ entrée de jeux, le nom de <> pour désigner le territoire d’ intervention. Je fus requis par le Président de la Mairie (Camara), un communiste passé au parti socialiste au pouvoir, pour préparer un plan quinquennal d’ orientation, de même que pour dresser une grille d’ analyse du patrimoine regional.
Ceci me permit de me familiariser avec le milieu, de m’ attacher au projet et à la région, de me rapprocher de mes enseignements en sociomuséologie à l’ Université Lussofone de Lisbonne et de mês camarades militants du MINOM de la première heure, de prendre la décision aux conséquences multiples sur ma vie personnelle de demeurer en semi permanence auprès de ma nouvelle compagne, la Directrice du Musée.
On m’ attribua, alternativement à titre de volontaire et de contractuel, le programme d’ intervention communautaire ( Formation et gestion ). À ce titre, encouragé par la sollicitude du Responsable (Vereador ) de la Culture, j’ entrai dans la programmation des activités, dans la mise en place concrète d’ un Comité de participation ( Gain considérable dans la structure portugaise du pouvoir municipal ), dans le conditionnement de l’ appareil municipal par la tenue d’ un colloque <> ( Collaboration du MINOM Portugal: Série Musées et autarquies )En sus de ces initiatives délicates en raison de mon statut d’ étranger ( susceptibilités à ménager ) et de ma liaison avec la Directrice, je me rendis disponible pour préparer des dossiers de promotion ( Prix Tourisme Portugal qui nous fut alloué avec les Açores ), dernière main, avant son inauguration le 1er Mai 2008, aux textes philosophiques et au récit muséographique ( Introduction de la mascotte, la Baleine Jonas ) enfin à la disposition des objets, aux fiches d’ évaluation du parcours du visiteur, etc …
Si on exclut les communications en salles de cours et dans les colloques, les menus services pressants de dernière minute, ce fut un travail incessant, ramant parfois à contre-courant où je mis à contribution au profit d’ une amitié et d’ une affection pour une collectivité, toutes les resources de mon experience, tant théorique que pratiquie, persuadé par mes observations que le Portugal avait besoin de renouveler la révolution muséologique de peu de durée entreprise en 1974. J’ eu la prétention (?) d’ introduire le <> et de défendre, lors de l’ Atelier Molinos, la notion de modèle s’ appuyant sur le processus de modélisation ( une statégie de stimulation du développement ).
Me sentant responsable d’ avoir entraîné mes coéquipiers dont j’ étais l’ aviseur sur le plan de l’ action communautaire sur une pente dont on ne sait jamais si elle pourra être surmontée ( Caractère expérimental ), risquant de mettre en péril des carrières, de décevoir les illusions ( l’ utopie ), je connu des momments de doute comme je l’ ai souvent exprime dans mes chroniques, rapidement dissipés compte tenu de mon caractère volontaire et une capacité de travail peu commune ( à ce qu’ on dit ).
Mon défi le plus important fut cependant d’ avoir à gérer dans le quotidien une relation de couple engage, de faire le partage équitable des tâches, moi-même comme volontaire invité, ma compagne comme Directrice répondant directement des autorités don’t j’ étais tenté de la détacher pour nous ramener au modèle d’ efficacité et de privacité Nord Américain auquel nous invitaient, d’ une certaine manière, les critères d’ efficience introduits par les programmes de la communauté Européenne, me souvenant toujours des paroles de Mateo Andrès ( Maestrazgo ) sur la <>.
Ayant atteint l’ âge du dernier quart d’ une vie, continuant à être mu par la vivacité de l’ esprit, possédant le sentiment que le plus important est encore à dire ou à faire, cherchant tout prétexte pour franchir les limites, ne craignant pas de substituer l’ aventure humaine au confort personnel, je marche jusqu’ à présent, comme l’ Indien, sur le retour de mes pas, une astuce pour détourner l’ ennemi. Est-il un point dans l’ expérience où il est permis de rompre les rangs ? En Haute-Beauce, j’ avais cinquante ans, je ne le croyais pás.
D’ UN ALTERMUSÉOLOGUE DU MINOM.
Pierre Mayrand, le 30 janvier 2009-01-31
On se souviendra que la fiche d´ évaluation proposée par le MINOM Int., a pour fonction d’ illustrer par des démarches jugées exemplaires par l’ auteur un processus en cours afin de créer une banque de références pouvant répondre à la question <> selon les contextes , les personnalités, le niveau de compréhension , d’ assimilation et de transposition de certains paramètres connus.
QUELLES LIMITES: COMBIEN DE TEMPS ENCORE, UN BILAN PROVISOIRE DE MA CONTRIBUTION AU MUSÉE COMMUNAUTAIRE DE CARRAPATEIRA (Pt, Algarve) ? Une intervention provoquée par une question de J.Fr. Leclerc (Qc, Can ) <>… qui lui est posée régulièrement par ses étudiants, à la fois séduits par l’ idée ( Faire du neuf ) et sceptiques devant l’ enchevêtrement des notions et des positions. Je tente toujours de répondre simplement, autant que faire se peut, qu’ il s’ agit d’ une attitude face au monde et à son explication, de privilégier l.e questionnement social, politique et culturel sur le devenir de nos sociétés, de se sentir entraîner par une cause, de chercher à mettre celle-ci à profit dans la création muséale libérée de toute entrave, de se donner la peine d’ explorer les essais de typologie existants, d’ aller expérimenter de prés, aussi éloignés qu’ ils fussent, les milieux où ça se passe. Pour l’ étudiant, brûler les cahiers de classe. Pour le professionnel, prendre une marge de distance avec la RÉGLE de l’ INSTITUTION. Encore mieux, DESCENDRE DANS LA RUE.
BILAN DE L’ AUTEUR.
Venu à Carrapateira, en 2004, fréquentant le Portugal depuis 1974, je fus amené par la Directrice du MMTC et les autorités municipales à validert le projet d’ un musée-territoire, dans une perspective de la Nouvelle muséologie dont la Directrice était une adepte.
Le diagnostic fut favorable, le contexte géographique et politique étant favorable à une telle initiative. Le projet prit, d’ entrée de jeux, le nom de <> pour désigner le territoire d’ intervention. Je fus requis par le Président de la Mairie (Camara), un communiste passé au parti socialiste au pouvoir, pour préparer un plan quinquennal d’ orientation, de même que pour dresser une grille d’ analyse du patrimoine regional.
Ceci me permit de me familiariser avec le milieu, de m’ attacher au projet et à la région, de me rapprocher de mes enseignements en sociomuséologie à l’ Université Lussofone de Lisbonne et de mês camarades militants du MINOM de la première heure, de prendre la décision aux conséquences multiples sur ma vie personnelle de demeurer en semi permanence auprès de ma nouvelle compagne, la Directrice du Musée.
On m’ attribua, alternativement à titre de volontaire et de contractuel, le programme d’ intervention communautaire ( Formation et gestion ). À ce titre, encouragé par la sollicitude du Responsable (Vereador ) de la Culture, j’ entrai dans la programmation des activités, dans la mise en place concrète d’ un Comité de participation ( Gain considérable dans la structure portugaise du pouvoir municipal ), dans le conditionnement de l’ appareil municipal par la tenue d’ un colloque <> ( Collaboration du MINOM Portugal: Série Musées et autarquies )En sus de ces initiatives délicates en raison de mon statut d’ étranger ( susceptibilités à ménager ) et de ma liaison avec la Directrice, je me rendis disponible pour préparer des dossiers de promotion ( Prix Tourisme Portugal qui nous fut alloué avec les Açores ), dernière main, avant son inauguration le 1er Mai 2008, aux textes philosophiques et au récit muséographique ( Introduction de la mascotte, la Baleine Jonas ) enfin à la disposition des objets, aux fiches d’ évaluation du parcours du visiteur, etc …
Si on exclut les communications en salles de cours et dans les colloques, les menus services pressants de dernière minute, ce fut un travail incessant, ramant parfois à contre-courant où je mis à contribution au profit d’ une amitié et d’ une affection pour une collectivité, toutes les resources de mon experience, tant théorique que pratiquie, persuadé par mes observations que le Portugal avait besoin de renouveler la révolution muséologique de peu de durée entreprise en 1974. J’ eu la prétention (?) d’ introduire le <> et de défendre, lors de l’ Atelier Molinos, la notion de modèle s’ appuyant sur le processus de modélisation ( une statégie de stimulation du développement ).
Me sentant responsable d’ avoir entraîné mes coéquipiers dont j’ étais l’ aviseur sur le plan de l’ action communautaire sur une pente dont on ne sait jamais si elle pourra être surmontée ( Caractère expérimental ), risquant de mettre en péril des carrières, de décevoir les illusions ( l’ utopie ), je connu des momments de doute comme je l’ ai souvent exprime dans mes chroniques, rapidement dissipés compte tenu de mon caractère volontaire et une capacité de travail peu commune ( à ce qu’ on dit ).
Mon défi le plus important fut cependant d’ avoir à gérer dans le quotidien une relation de couple engage, de faire le partage équitable des tâches, moi-même comme volontaire invité, ma compagne comme Directrice répondant directement des autorités don’t j’ étais tenté de la détacher pour nous ramener au modèle d’ efficacité et de privacité Nord Américain auquel nous invitaient, d’ une certaine manière, les critères d’ efficience introduits par les programmes de la communauté Européenne, me souvenant toujours des paroles de Mateo Andrès ( Maestrazgo ) sur la <>.
Ayant atteint l’ âge du dernier quart d’ une vie, continuant à être mu par la vivacité de l’ esprit, possédant le sentiment que le plus important est encore à dire ou à faire, cherchant tout prétexte pour franchir les limites, ne craignant pas de substituer l’ aventure humaine au confort personnel, je marche jusqu’ à présent, comme l’ Indien, sur le retour de mes pas, une astuce pour détourner l’ ennemi. Est-il un point dans l’ expérience où il est permis de rompre les rangs ? En Haute-Beauce, j’ avais cinquante ans, je ne le croyais pás.
_________________________
29.1.09
Cartografias da memória. Museus de Setúbal /Rede local de voluntários

Uma ideia. Um processo. Uma etapa
_______________ A Exposição
13
13
13
segundo, certos pontos.de.vista.
" Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar."
Carlos Drummond de Andrade
As fotografias foram o rastilho que incendiou a memória. Poderiam ter sido cem ou meia dúzia, mas como tudo tem um princípio, decidimos apostar no 13, esconjurar a crença no infortúnio, provocar o estremecimento, registar o encontro entre o instante aprisionado na imagem e as imagens instáveis, conflituantes, que a memória constrói e reconstrói dentro do seu tempo; ouvir falar de desencontros (que são pontos negros na História), descerrar o sofrimento, criar cumplicidades, reconhecer o trabalho e as lutas que traçam a diferença, sorrir às hesitações, aos lapsos e “esquecimentos” que a memória tece; jogar na metáfora do número a ambiguidade de sentidos que atravessam a imagem (também as alegrias e as suas celebrações), captar na singularidade de cada ponto.de.vista, o estranho ímpar que é todo o ser humano. Este projecto, cataliza o espanto, individual e colectivo, que assenta na descoberta de uma cidade nunca vista, sobre certos pontos.de.vista. Trata-se de criar com os parceiros e voluntários, uma nova e sofisticada cartografia do património, subjectiva, plural e diversa, reconstituída a partir das pessoas e dos seus mundos. O que aqui se apresenta é uma infinitésima parte do que temos recolhido, mas fica o exemplo, a síntese, o mote para a criação de um centro de memórias que registe metodicamente o que está para além das evidências. O que nos torna ímpares, estranhamente diferentes, entre iguais.
Isabel Victor
Divisão de Museus / Câmara Municipal de Setúbal
_______
O Projecto
Este projecto de recolha e registo de memórias orais tem como ponto de partida as fotografias de Américo Ribeiro, Arquivo Municipal que faz parte do património cultural e artístico de Setúbal.
A escolha não foi inocente, sabíamos, à partida, que o arquivo Américo Ribeiro estava inscrito nas vidas e memórias dos cidadãos, não só pela sua riqueza temática, mas também pela forma como Américo Ribeiro se relacionou com as pessoas e com a cidade. Também sabíamos que os afectos gerados pelas imagens e apego aos lugares, fotografados durante mais de meio século, facilmente despertariam a vontade de dizer algo.
Para conseguirmos chegar a esta síntese, apresentada sob a forma de exposição e filme, foi necessário um longo e intenso trabalho de retaguarda, que teve início em Outubro de 2007 e que continua a decorrer. Até ao momento, foram trabalhadas 398 imagens, das quais 94 versam o Vitória Futebol Clube; 196, a cidade e as pessoas; 27, as fábricas de conservas e 81, a Batalha das Flores, entre outras festas e tradições. Neste percurso, recolheram-se histórias de vida, memórias, criaram-se afectos e geraram-se emoções em torno do mote escolhido. Constituíram-se redes interpessoais envolvendo os museus e os diferentes grupos na comunidade, contribuindo para atenuar as barreiras sociais e intelectuais que ainda hoje inibem algumas pessoas de entrar nos museus e aceder a bens culturais e patrimoniais, que são pertença de todos. Com este trabalho buscamos a aproximação entre a comunidade, os museus, os patrimónios e aproveitamos a irrepetível oportunidade de recorrer a informantes que foram contemporâneos de acontecimentos fotografados por Américo Ribeiro, tornando-os narradores da sua própria história.
A valorização dos saberes e experiências de vida dos membros da comunidade, sistematizados em forma de documentos acessíveis aos públicos e investigadores, permite-nos acrescentar aos espaços museológicos uma outra dimensão de pesquisa, baseada na escuta e no compromisso com os cidadãos, engrandecendo e humanizando o leque de serviços dos museus e os conteúdos do património imaterial.
A exposição "13 Fotografias, 13 Estórias, 13 Filmes", reúne um conjunto ímpar de imagens seleccionadas pelos informantes, de acordo com os seus critérios e preferências pessoais.
A subjectividade dos seus olhares remete-nos para múltiplas e desafiantes leituras da cidade.
Agradecemos a todos os que contribuíram para que isto fosse possível, dando-nos os seus únicos e irrepetíveis pontos.de.vista.
Este projecto de recolha e registo de memórias orais tem como ponto de partida as fotografias de Américo Ribeiro, Arquivo Municipal que faz parte do património cultural e artístico de Setúbal.
A escolha não foi inocente, sabíamos, à partida, que o arquivo Américo Ribeiro estava inscrito nas vidas e memórias dos cidadãos, não só pela sua riqueza temática, mas também pela forma como Américo Ribeiro se relacionou com as pessoas e com a cidade. Também sabíamos que os afectos gerados pelas imagens e apego aos lugares, fotografados durante mais de meio século, facilmente despertariam a vontade de dizer algo.
Para conseguirmos chegar a esta síntese, apresentada sob a forma de exposição e filme, foi necessário um longo e intenso trabalho de retaguarda, que teve início em Outubro de 2007 e que continua a decorrer. Até ao momento, foram trabalhadas 398 imagens, das quais 94 versam o Vitória Futebol Clube; 196, a cidade e as pessoas; 27, as fábricas de conservas e 81, a Batalha das Flores, entre outras festas e tradições. Neste percurso, recolheram-se histórias de vida, memórias, criaram-se afectos e geraram-se emoções em torno do mote escolhido. Constituíram-se redes interpessoais envolvendo os museus e os diferentes grupos na comunidade, contribuindo para atenuar as barreiras sociais e intelectuais que ainda hoje inibem algumas pessoas de entrar nos museus e aceder a bens culturais e patrimoniais, que são pertença de todos. Com este trabalho buscamos a aproximação entre a comunidade, os museus, os patrimónios e aproveitamos a irrepetível oportunidade de recorrer a informantes que foram contemporâneos de acontecimentos fotografados por Américo Ribeiro, tornando-os narradores da sua própria história.
A valorização dos saberes e experiências de vida dos membros da comunidade, sistematizados em forma de documentos acessíveis aos públicos e investigadores, permite-nos acrescentar aos espaços museológicos uma outra dimensão de pesquisa, baseada na escuta e no compromisso com os cidadãos, engrandecendo e humanizando o leque de serviços dos museus e os conteúdos do património imaterial.
A exposição "13 Fotografias, 13 Estórias, 13 Filmes", reúne um conjunto ímpar de imagens seleccionadas pelos informantes, de acordo com os seus critérios e preferências pessoais.
A subjectividade dos seus olhares remete-nos para múltiplas e desafiantes leituras da cidade.
Agradecemos a todos os que contribuíram para que isto fosse possível, dando-nos os seus únicos e irrepetíveis pontos.de.vista.
Museu do Trabalho Michel Giacometti Divisão de Museus Câmara Municipal de Setúbal
Bruno Ferro
Arquivo Municipal Fotográfico Américo Ribeiro Divisão de Museus Câmara Municipal de Setúbal
Edite Barreira
Projecto «Ao Encontro da Memória Através do Património»
19.1.09
MIDI EXPRESS
Chroniques d’ un altermuséologue
19 janvier 2009-01-19
LES DOUTES D’ UN ANIMATEUR
L’ expérience d’ une assemblée générale populaire relatée hier soir, se voulant un exercice d’ auto-critique, ne me satisfaisant pas, laissant dans l’ ombre de nombreux doutes, j’ y reviens le lendemain matin au risque de vous lasser, si ça n’ est pas déjà le cas.
Je me suis toujours interrogé, lors des interventions communautaires auxquelles j’ ai eu à prêter ma collaboration comme volontaire, se déroulant parfois sur une période prolongée ( je pense surtout à la Haute Beauce, ce fantôme géant, qui a occupé une vingtaine d’ années de ma vie et qui me sert toujours de référence tellement l’ expérience fut exhaustive ), sur mes motivations profondes, sur l’ impact réel des réussites et des échecs, sur la tentation de la manipulation et du pouvoir tribun.
Pour ce qui est des motivations il est certain que j’ obéissais à une poussée irrésistible, à la fois croyance dans la cause du changement et de la solidarité coopérative et expression d’ une rébellion contre les coercitions auxquelles j’ ai été soumis dans dans ma jeunesse ( Religion, éducation, tutelle paternelle … ), mais également en regard des enseignements maternels, ma mère étant issue d’ une famille possédant une longue histoire de résistances tragiques. Il faut dire aussi que, malgré mon âge, je me considerais de la génération des années 70, étant en contact permanent avec les jeunes par mes enseignements. Ces facteurs, comme d’ autres, eurent come résultat un souci de me distinguer tout en me fondant dans la masse, de réfuter toute position arrêtée, d’ épouser le risque et la provocation comme modes de vie et de relationnement: Emporté vers le large dans la faible embarcation que je m’ étais construite, je défiais les dieux tout en tremblant.
Ceci m’ amène à commenter brièvement la tentation de la manipulation dont on est trop souvent soupçonné dans l’ exercice de ce métier. Où se trouve la ligne de démarcation entre celle-ci et la visée stratégique, propre à toute action organisée ? Tout dépend, à mon avis, de la légitimité des objectifs poursuivis. Mais qui en jugera ? Est-ce parceque nous sommes confrontés à une opposition qu’ il faille présumer d’ une justification de la présomption de manipulation stratégique ? Le verdict, parfois sévère, appartient à la communauté à laquelle le volontaire, animateur socio-culturel, consent à consacrer ses énergies. Le militant, bien souvent meurtri dans sa chair, n’ aura d’ autre issue que celle du courage d’ entreprendre son auto-critique sans sombrer dans la démobilisation, de poser et de se poser les questions troublantes qui font partie des rapports sociétaires.
Pour en revenir à l’ assemblée d’ hier, malgré la présence massive de la communauté et son écoute attentive, je sentais bien que tout avait été <> selon les meilleures règles du métier, ne laissant pas d’ autre choix aux personnes présentes que de se laisser entraîner dans un engrenage bien huilé. Je sentais néanmoins poindre dans l’ esprit de certains la question, rapidement éludée, dans quelle galère sommes-nous entraînés ? Était-ce une assemblée publique pour entériner ou valider l’ action unilatérale du Musée, justifier sa vocation communautaire, ou bien était-ce véritablement une tentative d’ associer toutes les voix , dans un geste de rémission, à la vie de l’ entreprise ? La question, restée sans réponse claire, à savoir si le Comité de participation possédait un pouvoir exécutif ( le document stipulant seulement qu le CP n’ était pas un groupe de pression ), est un exemple de zone grise que l’ on retrouve dans toute démarche de type concensuel. De la réponse à cette question découleront les rapports à venir à l’ intérieur du triangle diabolique dans lequel nous venons de nous engager: MUSÉE-POPULATION-AUTORITÉ. Je puis cependant affirmer sans l’ ombre d’ un doute que l’ intention de ceux qui ont mené le jeux ( La Directrice, moi-même, le Vereador ) était exempte de tout calcul récupérateur, tellement la foi dans l’ entraînement du mouvement fut grande. Le doute de l’ animateur muséal chevronné, dans mon cas, venait peut-être du trac que l’ on éprouve toujours au momment de franchir une étape décisive engageant la responsabilité sociale ?
Pierre (Mayrand)
Chroniques d’ un altermuséologue
19 janvier 2009-01-19
LES DOUTES D’ UN ANIMATEUR
L’ expérience d’ une assemblée générale populaire relatée hier soir, se voulant un exercice d’ auto-critique, ne me satisfaisant pas, laissant dans l’ ombre de nombreux doutes, j’ y reviens le lendemain matin au risque de vous lasser, si ça n’ est pas déjà le cas.
Je me suis toujours interrogé, lors des interventions communautaires auxquelles j’ ai eu à prêter ma collaboration comme volontaire, se déroulant parfois sur une période prolongée ( je pense surtout à la Haute Beauce, ce fantôme géant, qui a occupé une vingtaine d’ années de ma vie et qui me sert toujours de référence tellement l’ expérience fut exhaustive ), sur mes motivations profondes, sur l’ impact réel des réussites et des échecs, sur la tentation de la manipulation et du pouvoir tribun.
Pour ce qui est des motivations il est certain que j’ obéissais à une poussée irrésistible, à la fois croyance dans la cause du changement et de la solidarité coopérative et expression d’ une rébellion contre les coercitions auxquelles j’ ai été soumis dans dans ma jeunesse ( Religion, éducation, tutelle paternelle … ), mais également en regard des enseignements maternels, ma mère étant issue d’ une famille possédant une longue histoire de résistances tragiques. Il faut dire aussi que, malgré mon âge, je me considerais de la génération des années 70, étant en contact permanent avec les jeunes par mes enseignements. Ces facteurs, comme d’ autres, eurent come résultat un souci de me distinguer tout en me fondant dans la masse, de réfuter toute position arrêtée, d’ épouser le risque et la provocation comme modes de vie et de relationnement: Emporté vers le large dans la faible embarcation que je m’ étais construite, je défiais les dieux tout en tremblant.
Ceci m’ amène à commenter brièvement la tentation de la manipulation dont on est trop souvent soupçonné dans l’ exercice de ce métier. Où se trouve la ligne de démarcation entre celle-ci et la visée stratégique, propre à toute action organisée ? Tout dépend, à mon avis, de la légitimité des objectifs poursuivis. Mais qui en jugera ? Est-ce parceque nous sommes confrontés à une opposition qu’ il faille présumer d’ une justification de la présomption de manipulation stratégique ? Le verdict, parfois sévère, appartient à la communauté à laquelle le volontaire, animateur socio-culturel, consent à consacrer ses énergies. Le militant, bien souvent meurtri dans sa chair, n’ aura d’ autre issue que celle du courage d’ entreprendre son auto-critique sans sombrer dans la démobilisation, de poser et de se poser les questions troublantes qui font partie des rapports sociétaires.
Pour en revenir à l’ assemblée d’ hier, malgré la présence massive de la communauté et son écoute attentive, je sentais bien que tout avait été <> selon les meilleures règles du métier, ne laissant pas d’ autre choix aux personnes présentes que de se laisser entraîner dans un engrenage bien huilé. Je sentais néanmoins poindre dans l’ esprit de certains la question, rapidement éludée, dans quelle galère sommes-nous entraînés ? Était-ce une assemblée publique pour entériner ou valider l’ action unilatérale du Musée, justifier sa vocation communautaire, ou bien était-ce véritablement une tentative d’ associer toutes les voix , dans un geste de rémission, à la vie de l’ entreprise ? La question, restée sans réponse claire, à savoir si le Comité de participation possédait un pouvoir exécutif ( le document stipulant seulement qu le CP n’ était pas un groupe de pression ), est un exemple de zone grise que l’ on retrouve dans toute démarche de type concensuel. De la réponse à cette question découleront les rapports à venir à l’ intérieur du triangle diabolique dans lequel nous venons de nous engager: MUSÉE-POPULATION-AUTORITÉ. Je puis cependant affirmer sans l’ ombre d’ un doute que l’ intention de ceux qui ont mené le jeux ( La Directrice, moi-même, le Vereador ) était exempte de tout calcul récupérateur, tellement la foi dans l’ entraînement du mouvement fut grande. Le doute de l’ animateur muséal chevronné, dans mon cas, venait peut-être du trac que l’ on éprouve toujours au momment de franchir une étape décisive engageant la responsabilité sociale ?
Pierre (Mayrand)
18.1.09
MINUIT EXPRESSE
Chroniques d’ un altermuséologue
Janvier 2009-01-18
AUTO-CRITIQUE D’ UNE ASSEMBLÉE GÉNÉRALE.
Le Musée de la Mer et de la Terre de Carrapateira (Pt) se définit comme un musée communautaire. Inauguré en Mai de l’ an dernier, sa qualité comme musée communautaire était légitimisée, jusqu’ à présent, par le don d’ objets, par la participation spontanée des habitants aux enquêtes, par leur affection pour un projet qu’ ils avaient fait leur.
Il fallait franchir un pas supplémentaire dans la communitarisation du musée, dont le statut était celui de la dépendence à la tutelle municipale.
Afin de parvenir à un degré opérationnel de pleine communitarisation, il fut prévu de longue date de convaincre l’ autorité municipale de prolonger le succès populaire du Musée par la mise en place de structures et d’ activités lui donnant de la chair, le contexte socio-politique du Conseil étant théoriquement favorable à l’ adoption de mesures participatives prises en charge par le Musée.
Les mesures proposées dans un plan quinquennal prévoyaient , entre autres, l’ institution d’ un réseau géré par des noyaux interactifs de populations formées aux expositions à l’ intérieur d’ un territoire d’ identité désigné comme le <>, enfin la création à l’ intérieur du musée pilote de Carrapateira d’ une instance consultative de gestion participative, le Comité de participation, et la création d’ un premier atelier de formation aux expositions, sous forme d’ une clinique de la mémoire.
La philosophie d’ action du musée ayant été réitérée lors de la présentation , à la Municipalité , de la première programmation
Incluant les prévisions budgétaires, l’ ensemble des propositions reçurent un aval compréhensif de la part des autorités, dont celui du Responsable de la Culture, ces décisions coincidant avec l’ annonce de l’ attribution d’ un prix du Tourisme Portugal 2008.
Les deux mécanismes de participation cités avaient fait l’ objet de documents énonçant les objectifs, la méthodologie de chacune des instances à expérimenter. Il fallait à présent convenir d’ une façon afin de les véhiculer auprès de l’ ensemble des populations concernées. La convocation d’ une Assemblée générale d’ information fut décidée. En plus de la présentation de la mission communautaire du Musée, deux points furent portés à l’ ordre du jour: Les participants au Comité de gestion et au 1er Atelier de formation aux expositions. Ceci peut apparaître comme tout à fait normal dans certains milieux familiers avec cette procédure, et dont la direction y est prepare.
Grâce à l’ instrumentation d’ un conseiller en action communautaire et une préparation minutieuse des details de fonctionnement en assemblées délibérantes, le grand jour eut lieu dans l’ après midi du dimanche le 18 janvier.
Une cinquantaine de personnes répondirent à l’ appel, serrés les uns contre les autres dans la Salle polyvalente du Musée, encadrés par les panneaux expositifs de la mission du Musée: Personnes de tout âge, de toute condition. Malgré certaines hésitations compréhensibles, les décisions furent prises concensuellement conformément à l’ ordre du jour proposé en évitant la lourdeur de procédures. Les premières rencontres de comités nous permettront de conclure de fçon plus conclusive sur l’ efficacité de l’ appareil mis en place.
Conseiller en muséologie communautaire, travaillant en étroite collaboration avec la Directrice et le Responsible de la Culture, le fait que je ne maîtrise pas la langue, fit en sorte que les rôles durent être inversés à certains momments obligeant ainsi à des ajustements de fonctionnement lors des étapes ultérieures.
Bolos, mogrono, thé, firent le reste, alors que certains s’ occupaient à se repartir les convocations au Comité et à l’ Atelier, une tâche toujours ardue compte tenu des disponibilités des uns et des autres. Si plusieurs membres de la communauté avouaient qu’ ils ne savaient lire, les langues suppléères abondamment à cette carrence.
Pierre (Mayrand)
Chroniques d’ un altermuséologue
Janvier 2009-01-18
AUTO-CRITIQUE D’ UNE ASSEMBLÉE GÉNÉRALE.
Le Musée de la Mer et de la Terre de Carrapateira (Pt) se définit comme un musée communautaire. Inauguré en Mai de l’ an dernier, sa qualité comme musée communautaire était légitimisée, jusqu’ à présent, par le don d’ objets, par la participation spontanée des habitants aux enquêtes, par leur affection pour un projet qu’ ils avaient fait leur.
Il fallait franchir un pas supplémentaire dans la communitarisation du musée, dont le statut était celui de la dépendence à la tutelle municipale.
Afin de parvenir à un degré opérationnel de pleine communitarisation, il fut prévu de longue date de convaincre l’ autorité municipale de prolonger le succès populaire du Musée par la mise en place de structures et d’ activités lui donnant de la chair, le contexte socio-politique du Conseil étant théoriquement favorable à l’ adoption de mesures participatives prises en charge par le Musée.
Les mesures proposées dans un plan quinquennal prévoyaient , entre autres, l’ institution d’ un réseau géré par des noyaux interactifs de populations formées aux expositions à l’ intérieur d’ un territoire d’ identité désigné comme le <>, enfin la création à l’ intérieur du musée pilote de Carrapateira d’ une instance consultative de gestion participative, le Comité de participation, et la création d’ un premier atelier de formation aux expositions, sous forme d’ une clinique de la mémoire.
La philosophie d’ action du musée ayant été réitérée lors de la présentation , à la Municipalité , de la première programmation
Incluant les prévisions budgétaires, l’ ensemble des propositions reçurent un aval compréhensif de la part des autorités, dont celui du Responsable de la Culture, ces décisions coincidant avec l’ annonce de l’ attribution d’ un prix du Tourisme Portugal 2008.
Les deux mécanismes de participation cités avaient fait l’ objet de documents énonçant les objectifs, la méthodologie de chacune des instances à expérimenter. Il fallait à présent convenir d’ une façon afin de les véhiculer auprès de l’ ensemble des populations concernées. La convocation d’ une Assemblée générale d’ information fut décidée. En plus de la présentation de la mission communautaire du Musée, deux points furent portés à l’ ordre du jour: Les participants au Comité de gestion et au 1er Atelier de formation aux expositions. Ceci peut apparaître comme tout à fait normal dans certains milieux familiers avec cette procédure, et dont la direction y est prepare.
Grâce à l’ instrumentation d’ un conseiller en action communautaire et une préparation minutieuse des details de fonctionnement en assemblées délibérantes, le grand jour eut lieu dans l’ après midi du dimanche le 18 janvier.
Une cinquantaine de personnes répondirent à l’ appel, serrés les uns contre les autres dans la Salle polyvalente du Musée, encadrés par les panneaux expositifs de la mission du Musée: Personnes de tout âge, de toute condition. Malgré certaines hésitations compréhensibles, les décisions furent prises concensuellement conformément à l’ ordre du jour proposé en évitant la lourdeur de procédures. Les premières rencontres de comités nous permettront de conclure de fçon plus conclusive sur l’ efficacité de l’ appareil mis en place.
Conseiller en muséologie communautaire, travaillant en étroite collaboration avec la Directrice et le Responsible de la Culture, le fait que je ne maîtrise pas la langue, fit en sorte que les rôles durent être inversés à certains momments obligeant ainsi à des ajustements de fonctionnement lors des étapes ultérieures.
Bolos, mogrono, thé, firent le reste, alors que certains s’ occupaient à se repartir les convocations au Comité et à l’ Atelier, une tâche toujours ardue compte tenu des disponibilités des uns et des autres. Si plusieurs membres de la communauté avouaient qu’ ils ne savaient lire, les langues suppléères abondamment à cette carrence.
Pierre (Mayrand)
15.1.09
L’ EXPOSITION ______________________ LA FACE DÉCHAÎNÉE DU MUSÉE
Pierre Mayrand, Altermuséologue, Québec, Canadá.
ACFAS, 2008
ULHT, Lisbonne, Pt
Quelque soit la précision des objectifs énoncés dans la mission du musée, les conntrôles établis afin que les actions du musée, notament l’exposition temporaire fabriquée in loco, répondent aux objectifs fixés par l’organisme, la réalité du processus expositionnel (mise en présence, présentation, représentation, représentaction ) est tellement complexe, compte tenu de sa durée et de la multiplicité des intervenants ( que ce soit l’exposition standard ou participative ), qu’il ne fait pas de doute qu’il s’opère une «distanciation» entre l’institution et les résultats obtenus, ceux-ci découlant d’une pensée toute puissante, poursuivant son propre chemin que nous qualifions de « déchaîné » (rompre la chaîne). Ceci est tout à fait salutaire, si l’on considère que la « représentificaction » , la réunion des trois phénomènes cités dans la thématique du colloque , fait de la mise en exposition un acte de création propre à sa vocation culturelle. Bien que la lourdeur des mécanismes de concertation, d’ajustement des intervenants, ralatentissent l’efficacité de l’embrayage poussé à fond afin de se conformer aux échéances, il n’en reste pas moins que dans l’exposition standard, comme dans l’exposition participative, la réunion d’un grand nombre d’intervenants autour du projet, associés par voie de concours ou par simple désir de coopération, fait l’effet d’un broyeur ou d’un extracteur d’idées-formes-relations à l’espace, tirant de l’idée originale (le projet) un mélange riche en saveurs, apprécié par soi-même ( le fabriquant) comme par le visiteur , le principal intéressé à en apprécier la teneur.
Le phénomène de transposition de l’idée, à l’origine du projet, encore toute proche de la mission du musée, en une quête d’autonomie basée sur le concensus continu d’expériences diversifiées, de la recherche par les acteurs d’une CRÉATION qui puisse se détacher de la présence de l’institution pour prendre vie dans la perception active du visiteur, y introduisant son propre imaginaire (la suite de la présentificaction déchaînée ), nous oblige à prendre une distance entre la vision simplificatrice du rapport symétrique entre la représentation, la présentation et la présence, des vues de l’esprit peu compatibles avec la rálité asymétrique du processus de fabrication d’une exposition, de ses intentions.
Cette liberté que prend l’exposition à travers ses médiateurs, puis, obligatoirement, à travers le regard transformateur du visiteur, est comparable à l’appel, par Jacques Hainard (Objets prétextes, manipulés ) à la confrontation entre le créateur et l’objet se voulant obstinément le maître du terrain. La métaphore donne bien le ton de l’analogie entre deux combats sur le terrain institutionnel: Soit celui mené contre la domination traditionnelle de l’objet pour lui-même, et celui que nous évoquons dans notre argumentation de la « désinstitutionalisation » du processus expositionnel contemporain . Force est de convenir que la très grande majorité des publics s’intéressent peu à la mission du musée, quand ils ne l’ignorent pas totalement. On va au musée X pour voir l’exposition Y, Z qui nous a été offerte par la publicité. Seule la fidélisation, privilège de quelques uns en situation de relation proximale, pourrait satisfaire entièrement l’égo institutionnel, lui donnant l’ illusion de la permanence d’un produit entièrement contrôlé, tellement les représentations sont enrobées dans les sinuosités de la symbolique, ce vecteur de l’imaginaire collectif qui, une fois libéré par l’action collectivisée, commence à agir en toute indépendance sur le milieu culturel et social.
Nous illustrerons notre propos par un exemple emprunté au Portugal: L’exposition thématique permanente « La mer, notre terre », au Musée de la Mer et de la Terre de Carapateira, un musée à orientation communautaire sous tutelle municipale.
LE CAS
La recherche entreprise, il y a dix ans, pour dégager le potentiel ethno-culturel d’une population, en Algarve, traditionnellement vouée aux travaux de la terre et de la mer, dans une zone protégée, le Parc Vicentin faisant face, de l’autre côté de l’ Océan, à la Péninsule de Gaspé , conduit au projet d’un musée participatif articulé autour de la cueillette d’objets témoins des usages quotidiens. Le noyau fondateur, constitué par la muséologue sensibilisée à la muséologie sociale et la réunion des donateurs, se donne la mission implicite d’un musée “vivant”, une prise de position vicérale partagée par les autorités municipales, issues de la gauche populiste.
Une fois les travaux de construction d’un édifice destiné à recevoir le programme muséologique entré dans la phase muséologique proprement dite, les chercheurs (anthropologues, historiens) faisant place aux professionnels et techniciens de l’exposition, utilisant le bassin local d’expertises à être formées à une muséologie populaire de la nouvelle génération, au Portugal, caractérisée par une muséographie réceptive aux modèles de représentation et de scénarisation thématique, tout ce monde se penche sur le petit univers (Microcosme) auquel il doit donner forme, contenu et orientation . En plein processus de présentaction une étude stratégique vient préciser la mission et les objectifs de l’organisme, apportant des corrections, articulant plus efficacement la thématisation sur le programme d’animation populaire: L’énoncé de mission, esquissé à la base, se mêle intimement aux techniques d’animation, à la sensibilisation des autorités municipales aux objectifs recherchés.
Un colloque sur le rapport musées locaux et autarquies cherche à metre en évidence la nécessité d’un accord entre les musées et les tutelles sur une autonomie mesurée du musée vis-à -vis de la tutelle, à la fois dans la gestion courante que dans les processus d’animation et de réalisation de l’exposition. Les autorités, peu soucieuses, au préalable , de contrôler le contenu expositionnel, plus enclins à s’intéresser au bâti et aux équipements urbains d’accompagnement , mis devant les faits accomplis, réalisant enfin, devant les témoignages d’éloges, le bien fondé d’orientations qui leur étaient peu familières (Les cinq autres musées municipaux du Conseil étant faits sur le modèle traditionnel ), s’empressent d’acourir, au plus haut niveau, pour comprendre l’engouement de la population, pressée d’investir LEUR musée.
Comme on peut le comprendre, ici aussi, le phénomène de distanciation joue de façon significative, bien que dans un contexte de relations proximales entre la population, l’autorité , le musée, qui entraîne une dynamique de positionnements mutuels, à l’intérieur de laquelle la présentation gagne en dialectique: Une stratégie du compromis négocié dans un esprit de liberté où l’exposition , plus que l’institution , malgré sa propagande, fait figure de proue. L’esprit de liberté naturelle des gens de mer et de terre, les associés du musée territoire, jeunes et anciens, ayant vécu la révolution socio-culturelle du 25 Avril , ne pouvait que militer en faveur d’un partage du pouvoir, le musée devenant un outil de prise de conscience des passages que vit une population: Une mission qui remonte vers l’institution à travers une muséographie évolutive porteur de représentactions déchaînées du changement social. Cette ascension à rebours d’une muséologie agissante, pensante, organique (population-environnement), ne pouvait que séduire, une fois estompé le syndrome de la prudence bureaucratique, les acteurs municipaux issus du peuple.
FIN DE RÉFLEXION SUR UNE DIALECTIQUE Mai 2008
ACFAS, 2008
ULHT, Lisbonne, Pt
Quelque soit la précision des objectifs énoncés dans la mission du musée, les conntrôles établis afin que les actions du musée, notament l’exposition temporaire fabriquée in loco, répondent aux objectifs fixés par l’organisme, la réalité du processus expositionnel (mise en présence, présentation, représentation, représentaction ) est tellement complexe, compte tenu de sa durée et de la multiplicité des intervenants ( que ce soit l’exposition standard ou participative ), qu’il ne fait pas de doute qu’il s’opère une «distanciation» entre l’institution et les résultats obtenus, ceux-ci découlant d’une pensée toute puissante, poursuivant son propre chemin que nous qualifions de « déchaîné » (rompre la chaîne). Ceci est tout à fait salutaire, si l’on considère que la « représentificaction » , la réunion des trois phénomènes cités dans la thématique du colloque , fait de la mise en exposition un acte de création propre à sa vocation culturelle. Bien que la lourdeur des mécanismes de concertation, d’ajustement des intervenants, ralatentissent l’efficacité de l’embrayage poussé à fond afin de se conformer aux échéances, il n’en reste pas moins que dans l’exposition standard, comme dans l’exposition participative, la réunion d’un grand nombre d’intervenants autour du projet, associés par voie de concours ou par simple désir de coopération, fait l’effet d’un broyeur ou d’un extracteur d’idées-formes-relations à l’espace, tirant de l’idée originale (le projet) un mélange riche en saveurs, apprécié par soi-même ( le fabriquant) comme par le visiteur , le principal intéressé à en apprécier la teneur.
Le phénomène de transposition de l’idée, à l’origine du projet, encore toute proche de la mission du musée, en une quête d’autonomie basée sur le concensus continu d’expériences diversifiées, de la recherche par les acteurs d’une CRÉATION qui puisse se détacher de la présence de l’institution pour prendre vie dans la perception active du visiteur, y introduisant son propre imaginaire (la suite de la présentificaction déchaînée ), nous oblige à prendre une distance entre la vision simplificatrice du rapport symétrique entre la représentation, la présentation et la présence, des vues de l’esprit peu compatibles avec la rálité asymétrique du processus de fabrication d’une exposition, de ses intentions.
Cette liberté que prend l’exposition à travers ses médiateurs, puis, obligatoirement, à travers le regard transformateur du visiteur, est comparable à l’appel, par Jacques Hainard (Objets prétextes, manipulés ) à la confrontation entre le créateur et l’objet se voulant obstinément le maître du terrain. La métaphore donne bien le ton de l’analogie entre deux combats sur le terrain institutionnel: Soit celui mené contre la domination traditionnelle de l’objet pour lui-même, et celui que nous évoquons dans notre argumentation de la « désinstitutionalisation » du processus expositionnel contemporain . Force est de convenir que la très grande majorité des publics s’intéressent peu à la mission du musée, quand ils ne l’ignorent pas totalement. On va au musée X pour voir l’exposition Y, Z qui nous a été offerte par la publicité. Seule la fidélisation, privilège de quelques uns en situation de relation proximale, pourrait satisfaire entièrement l’égo institutionnel, lui donnant l’ illusion de la permanence d’un produit entièrement contrôlé, tellement les représentations sont enrobées dans les sinuosités de la symbolique, ce vecteur de l’imaginaire collectif qui, une fois libéré par l’action collectivisée, commence à agir en toute indépendance sur le milieu culturel et social.
Nous illustrerons notre propos par un exemple emprunté au Portugal: L’exposition thématique permanente « La mer, notre terre », au Musée de la Mer et de la Terre de Carapateira, un musée à orientation communautaire sous tutelle municipale.
LE CAS
La recherche entreprise, il y a dix ans, pour dégager le potentiel ethno-culturel d’une population, en Algarve, traditionnellement vouée aux travaux de la terre et de la mer, dans une zone protégée, le Parc Vicentin faisant face, de l’autre côté de l’ Océan, à la Péninsule de Gaspé , conduit au projet d’un musée participatif articulé autour de la cueillette d’objets témoins des usages quotidiens. Le noyau fondateur, constitué par la muséologue sensibilisée à la muséologie sociale et la réunion des donateurs, se donne la mission implicite d’un musée “vivant”, une prise de position vicérale partagée par les autorités municipales, issues de la gauche populiste.
Une fois les travaux de construction d’un édifice destiné à recevoir le programme muséologique entré dans la phase muséologique proprement dite, les chercheurs (anthropologues, historiens) faisant place aux professionnels et techniciens de l’exposition, utilisant le bassin local d’expertises à être formées à une muséologie populaire de la nouvelle génération, au Portugal, caractérisée par une muséographie réceptive aux modèles de représentation et de scénarisation thématique, tout ce monde se penche sur le petit univers (Microcosme) auquel il doit donner forme, contenu et orientation . En plein processus de présentaction une étude stratégique vient préciser la mission et les objectifs de l’organisme, apportant des corrections, articulant plus efficacement la thématisation sur le programme d’animation populaire: L’énoncé de mission, esquissé à la base, se mêle intimement aux techniques d’animation, à la sensibilisation des autorités municipales aux objectifs recherchés.
Un colloque sur le rapport musées locaux et autarquies cherche à metre en évidence la nécessité d’un accord entre les musées et les tutelles sur une autonomie mesurée du musée vis-à -vis de la tutelle, à la fois dans la gestion courante que dans les processus d’animation et de réalisation de l’exposition. Les autorités, peu soucieuses, au préalable , de contrôler le contenu expositionnel, plus enclins à s’intéresser au bâti et aux équipements urbains d’accompagnement , mis devant les faits accomplis, réalisant enfin, devant les témoignages d’éloges, le bien fondé d’orientations qui leur étaient peu familières (Les cinq autres musées municipaux du Conseil étant faits sur le modèle traditionnel ), s’empressent d’acourir, au plus haut niveau, pour comprendre l’engouement de la population, pressée d’investir LEUR musée.
Comme on peut le comprendre, ici aussi, le phénomène de distanciation joue de façon significative, bien que dans un contexte de relations proximales entre la population, l’autorité , le musée, qui entraîne une dynamique de positionnements mutuels, à l’intérieur de laquelle la présentation gagne en dialectique: Une stratégie du compromis négocié dans un esprit de liberté où l’exposition , plus que l’institution , malgré sa propagande, fait figure de proue. L’esprit de liberté naturelle des gens de mer et de terre, les associés du musée territoire, jeunes et anciens, ayant vécu la révolution socio-culturelle du 25 Avril , ne pouvait que militer en faveur d’un partage du pouvoir, le musée devenant un outil de prise de conscience des passages que vit une population: Une mission qui remonte vers l’institution à travers une muséographie évolutive porteur de représentactions déchaînées du changement social. Cette ascension à rebours d’une muséologie agissante, pensante, organique (population-environnement), ne pouvait que séduire, une fois estompé le syndrome de la prudence bureaucratique, les acteurs municipaux issus du peuple.
FIN DE RÉFLEXION SUR UNE DIALECTIQUE Mai 2008
11.1.09
Museu do Mar, na Carrapateira
O Museu do Mar e da Terra da Carrapateira, situado na aldeia que lhe dá o nome, no concelho de Aljezur, foi concebido e realizado conjuntamente com a autarquia, a população, investigadores, museólogos e outros profissionais.
O objectivo é colocar a museologia contemporânea ao serviço da promoção de uma região, a Costa Vicentina, do seu património natural e cultural.

Quem vem de Aljezur por aquela estrada serpenteada que atravessa essa serra prestes a confrontar-se com o mar, encontra primeiro a Bordeira incrustada nesse sucalco de feição iminentemente rural e quase a não deixar que a aldeia se confronte directamente com o mar.
Se continuar na mesma direcção e com novas curvas pelo caminho, começa, ao longe, a ver a Carrapateira que, lá do alto da sua colina, parece funcionar como uma espécie de sentinela, sempre em estado de alerta, diante da vastidão daquele mar.
É do cimo dessa encosta, para que a contemplação seja melhor sobre a aldeia, sobre o campo e sobre o mar, que o museu se decidiu edificar. E, por isso, logo de longe se começa a ver porque também ele foi concebido para espreitar a estrada quando esta começa a entrar na Carrapateira. Sorte diferente tem quem vem dos lados de Sagres. Sem qualquer ângulo de visão, ter-se-á de perguntar, já dentro da Carrapateira, onde é o museu da terra e do mar. E depois da estrada contornar a aldeia, ainda antes de sair, ter-se-á de subir aquela íngreme encosta até, praticamente, atingir o topo da Carrapateira e entrar naquele museu que faz questão de nos oferecer um amplo campo de visão em que a praia também não poderia faltar.
Num percurso que utilizou os dois itinerários, fomos ao encontro do museu da Carrapateira no dia da sua inauguração. O sol fazia-se sentir e, naquelas paragens sossegadas era difícil imaginar que se estava no dia do trabalhador. Muitos eram os que, depois do esforço daquela subida, faziam questão de descansar antes de lá entrar. Após esse compasso de espera, com alguma decisão penetravam no seu interior constituindo uma pequena multidão que ia percorrendo e admirando tudo o que por lá se encontrava. Mas, primeiro, teve-se que assistir à cerimónia oficial que, com palavras a preceito, quis abrir aquele espaço que pretende retratar a vida que, ao longo dos anos, deu corpo áquela povoação a viver em estreita ligação entre o campo e o mar. Por isso, como aquele espaço museológico quer retratar a vida de uma comunidade como a da Carrapateira, teria de se debruçar sobre a terra e o mar. Embora, à partida, a componente etnográfica fosse de privilegiar, ainda é algo deficitária e a exigir um dinamismo maior na recuperação e reconstituição de muitos pedaços da história de vida daquela povoação. Mas, em compensação, um conjunto colorido, em que a fotografia sobressai, vem dar áquele museu a alegria e a vitalidade de uma vida que se construiu com a terra e o mar por pano de fundo. E, por isso, a par de quadros de vida da labuta diária, a paisagem rural e marinha, patente nesses quadros coloridos, acaba por deslumbrar e por nos revelar recantos e pormenores difíceis de imaginar. É assim a costa vicentina com as gentes que a habitaram e que a continuam a enriquecer com a sua vida diária nessa relação entre o homem e a natureza que é factor de valorização. Esse enriquecimento tem acontecido e continua a acontecer nesses lugares onde o tempo praticamente parou mas, em contrapartida, onde ainda muito pouco se adulterou. E é nestes espaços do interior do Algarve onde a natureza ainda se respira e o homem pode viver nessa relação de amizade e de respeito com o seu habitat que estes espaços começam a emergir como expressão de uma vivência que, mesmo nos dias de hoje, continua a ter a sua razão de ser.Quanto ao espaço em si, com dificuldades de acesso para quem sente dificuldade em subir, apresenta-se como uma varanda sobre a terra e o mar dando expressão e todo o sentido à designação do próprio museu. No seu interior, o itinerário, com vários planos, vai-nos levando a contactar, mais à base da imagem, com parte da sua fauna e da sua flora. Também alguns dos seus usos e costumes se podem admirar com o intuito de dar a conhecer as tradições que fazem parte de povoações como a Carrapateira. No desenho desse percurso, chega-se ao fim com uma imagem do que é a vida, não de uma aldeia perdida, mas de pedaços de enredos de um Portugal dotado de uma beleza invulgar e que é urgente recuperar. E esta recuperação da vida, múltipla e facetada, que atravessa este parque natural da costa vicentina teria que passar por valores que viessem valorizar as suas gentes, os seus costumes, as suas tradições e, sobretudo, o continuar da sua relação com a terra e o mar. Mas para que este património natural se continue a preservar é fundamental que haja incentivos, que a qualidade de vida dos seus naturais seja uma realidade e que se constitua um conjunto de motivações para que as populações, mesmo as suas camadas mais jovens, sejam convidadas a ficar, a continuar, com novas formas e outros olhares, a vida dos seus antecessores. E como o conhecimento, a auto-estima, a recuperação e a interpretação da nossa memória é a melhor motivação, estes pólos museológicos, em sentido dinâmico e interactivo, são a melhor forma de incentivar, de divulgar e de valorizar estes espaços. É por isso que o museu da terra e do mar da Carrapateira, mais do que um museu pontual na Costa Vicentina, deveria fazer parte de uma rede a criar ao longo deste espaço natural como elemento de valorização, de enriquecimento e da divulgação de um património de uma riqueza que já não se começa a ver. Mas na falta dessa rede, o da Carrapateira constituiu um passo e, quem sabe, uma ambição e um “elan” para essa rede ou, então, para iniciativas do género.
in " Correio de Lagos "
Foto por João Mariano______________
MINI MINUIT EXPRESS
Pierre (Mayrand)
Bien chers amis(es), camarades et correspondants,
(...) Je fais un flash back sur les sujets abordés dans mes Express, m’ interrogeant sur leurs motivations, leur ton, leur portée possible: Praxis, utopie, idéologie, évocations de lions et de loups, apologie de l’ impertinence, questionnements sur le social, la véritable nature du mouvement, chroniques choses lues ou entendues, de personnes côtoyées, d’ expériences de travail … Sur ce dernier sujet figure la magnifique aventure de Carrapateira dont je n’ arrive pas à trouver les qualificatifs appropriés tellement elle est surprenante, ennivrante, obsessive: La nouvelle muséologie sociale à l’ état pur, comme je ne l’ avais pas expérimentée depuis la Haute-Beauce, plus disciplinée, intégrant les meilleurs apports de cette muséologie dans le monde, les convertissant en une amorce de prototype d’ une nouvelle génération. Ces derniers jours encore, ma compagne et moi-même éprouvions le bonheur de voir reconnaître sans réserves nos propositions sur les instances participatives, sur la dénomination territoriale, sur le programme de formation populaire: Le Croissant Fertile, la Commission participative, la clinique de mémoire, avec le concours massif des populations, fruits de la conjugaison de la muséologue fondatrice, d’ apports externes, de la conscience politique des autorités, de l’ esprit communautaire et coopératif fortement enraciné dans une population de pêcheurs et de petits agriculteurs. Au risque de paraître prétentieux, j’ affirme que le succès d’ une telle entreprise d’ innovation synthèse vient de la concoction de trois facteurs: Le cran des acteurs, l’ association des pratiques à une idéologie réfléchie, le contexte de connivence politique à tous les niveaux de l’ action, faisant en sorte qu’ il est possible d’ affirmer qu’ il a encore de la place, dans le contexte actuel, moyennant une stratégie et des méthodes adéquates, pour la muséologie participative, ses príncipes d’ entr’aide, pavant le terrain pour des prises de parole élevant le local au niveau d’ un dialogue mondial.
Le voile du silence levé,
Odalice, Hugues …
À VOUS LA PAROLE.
9.1.09
Dialécticas Museo(lógicas)

To: luisarogado@sapo
Subject: RE: dialectica. Uma nuance ...
Date: Fri, 9 Jan 2009 22:31:24
Caríssimo Pierre
Saravá ilustre amigo, concordo. Concordo contigo, mas acho que o mais importante é suscitar a reacção, o espanto, a vontade. Por muito nobres que se nos afigurem as causas, nada muda se for imposto. As pessoas (julgo eu) têm que acreditar que podem contribuir para a mudança. Têm que se sentir comprometidas, ganhar confiança, crescer com o problema e ganhar coragem (audácia) para intervir na mudança. Este processo é sempre uma construção. São processos lentos de identificação ... mas, subitamente, dependendo das lideranças e das circunstâncias, do nível consciência individual e colectiva, dão saltos que nos ultrapassam. Saltos qualitativos de que, por vezes, nem nos apercebemos por estarmos tão perto dos problemas e, simultaneamente, tão viciados nas soluções. O que me parece importante é a persistência no terreno. O importante é criar laços e hábitos de pensar livremente. Rotinas de discussão. Esse é o campo onde germina a mudança. A convicção de que é possível mudar. Manter acesa a chama ... deixar fluir o pensamento. Eis a dialéctica ... museo(lógica) do conhecimento.
(e ... sim, Gaza é o espelho da indiferença a " banalidade do mal " proclamada por Hannah Arendt aos nossos olhos. Um crime horrendo. Uma guerra assimétrica)
Musealogando ...
iv (isabel Victor)
_____________________
From: luisarogado@sapo.pt
Caríssimo Raul,
Gracias por recordar nos los princípios sacrados de la nueva museologia , esso es de la museologia SOCIAL, que sia communitaria, de citadania, revolucionaria, altermondialista, siempre critica, contestaria, impertinente, confrontational, siempre libre que se puede contemplar en los ojos que son en tu mirada. La dialéctica que surge de la paxis del trinomo pueblo-sus raises ( cultura y medioambiente ) es lo que falta mas el el marco del statismo de la formula populacion-territorio-patrimonio quando non se resolve por la equacion +++=ACCION POR UN CAMBIO QUALITATIVO, implementando la construccion de las memorias por un futuro, entonce la refutacion de todo lo que es recibido, transmitido indiscrinamente, el gusto de la memoria por la memoria siendo fútil. Adelante ! Muchos van a fulminar adelante estas asertiones como cada dia fulminamos a la vista de los horrores en Gaza enfrentados por la consciencia falsificada de la consciência de la communidad international. Saria el tema de una exposition fracassante de parte de los adherentes mas radicales de <> movimiento, dando la prueba del corage de algunos.
Pierre (Mayrand)
7.1.09
X Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais, Braga de 4 a 7 Fevereiro
http://www.xconglab.ics.uminho.pt/O CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS é um encontro bienal que reúne cientistas sociais dos países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tome e Príncipe e Timor Leste).
Desde a sua primeira edição, em 1990, que o CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS tem promovido o desenvolvimento de uma comunidade de cientistas sociais de língua portuguesa. O repto lançado por Boaventura de Sousa Santos em Coimbra, por altura do I congresso, dirigia-se explicitamente à questão da interdisciplinaridade e sublinhava a estreita relação entre as ciências sociais e a democracia. Organizado pelo Centro de Estudos Sociais (CES) e subordinado ao tema “Saber e Imaginar o Social. Desafios às Ciências Sociais em Língua Portuguesa”, o Congresso reuniu alguns dos mais proeminentes cientistas sociais de Portugal, do Brasil e dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP). Em resposta aos objectivos fundadores deste projecto, em cada biénio vêm-se estreitando os laços multilaterais e ampliando as redes e mecanismos de cooperação científica entre investigadores e instituições destes países.
Em 1992, coube ao Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo organizar o II CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS. Nessa ocasião, as grandes linhas de discussão giraram em torno das consequências e desafios da modernidade nas sociedades semiperiféricas do espaço luso-afro-brasileiro. O programa deste Congresso teve a particularidade de oferecer três cursos: africanidade, cultura brasileira e cultura portuguesa.
Em 1994, o III CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS debateu o fenómeno da multiculturalidade e foi organizado pelo Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa. Subordinado ao tema “Dinâmicas Culturais: novas faces, outros olhares”, o Congresso centrou-se nos novos desafios criados pelas sociedades multiculturais e no papel das ciências sociais no estudo das relações daí emergentes.
Em 1996, o IV CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS debateu o tema “Territórios da Língua Portuguesa – Culturas, Sociedades e Políticas no Mundo Contemporâneo” e a sua organização esteve a cargo do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS-UFRJ). Neste Congresso foi discutida a criação da «Associação Luso-Afro-Brasileira de Ciências Sociais», que seria encarregada da organização dos congressos futuros, de um intercâmbio mais sistemático entre os interessados e da publicação de uma revista.
Em 1998, teve lugar o V CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS, o primeiro realizado em África. Foi organizado pela Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique e abarcou um leque variado de temas-base: Segurança das Sociedades, Novas Democracias, Artes e Sociedades, Populações e Territórios e Oceano Índico. Decidiu-se constituir a Associação de Ciências Sociais e Humanas em Língua Portuguesa (ACSHELP) e o lançamento de uma publicação própria, a revista Travessias, apresentada como a revista da Associação de Ciências Sociais e Humanas em Língua Portuguesa.
Em 2000, o VI CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS foi subordinado ao tema “As Ciências Sociais nos espaços de língua portuguesa: balanços e desafios” e a sua organização esteve a cargo do Centro Leonardo Coimbra da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Em 2002, o VII CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS realizou-se uma vez mais no Rio de Janeiro. Ao definir como tema dominante “As Linguagens da Lusofonia”, a organização procurou problematizar essa noção da língua partilhada, ao abordar a questão da diversidade das comunidades falantes da língua portuguesa. A organização do Congresso esteve a cargo do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ)/Universidade Cândido Mendes.
Em 2004, o VIII CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS realizou-se de novo em Coimbra com o título "A questão social no novo milénio", um tema que, presente desde a revolução insdustrial, vem sendo objecto de debate no vasto leque das ciências sociais seja no sentido da manutenção de mecanismos de integração social, seja no âmbito de processos de reivindicação por parte de sindicatos e movimentos sociais em vista de uma sociedade mais justa e solidária. Estas temáticas, no quadro da relação Norte-Sul, exigem da parte das ciências sociais maiores responsabilidades na análise e reflexão sobre as consequências da actual globalização económica.
Em 2006, o IX CONGRESSO LUSO-AFRO-BRASILEIRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS realizou-se desta feita em Luanda. O tema deste congresso, “Dinâmicas, mudanças e desenvolvimento no século XXI”, refere situações com que se defrontam as sociedades modernas, pelo que as sugestões dos painéis apresentados respondem a preocupações que parecem comuns a todos os países participantes e possibilitam, ao mesmo tempo, expressões diferenciadas de comunicações individualizando identidades e idiossincrasias societais/nacionais.
Para além dos encontros bienais, o impacto dos congressos tem-se traduzido no aumento das iniciativas de apoio à cooperação entre instituições e cientistas sociais dos países de língua oficial portuguesa. Os diversos programas de intercâmbio, activados nos últimos anos, têm envolvido diversas instituições prestigiadas nas ciências sociais. A título de exemplo refira-se a Bolsa Luso-Afro-Brasileira, atribuída desde 1994 por períodos de um ano, pelo ICS, que visa promover o debate científico e a participação em conferências e seminários no âmbito do Programa de Pós-Graduação; em 2001, foi criada a Bolsa Um Mês no CES, para estimular o intercâmbio com outras instituições e destinada especialmente a professores universitários e investigadores dos países de língua oficial portuguesa e o Prémio CES, que desde 1999, vem sendo atribuído bienalmente a trabalhos de investigação em ciências sociais realizados por jovens investigadores de expressão portuguesa, tendo distinguido até à data cientistas sociais de diferentes origens. Além disso, em Agosto de 2003, foi criada uma cátedra de ciências sociais entre o ISCTE e a Universidade Estadual de Campinas, no Brasil (Unicamp). De igual modo, nos últimos anos foram realizados diversos projectos de envergadura sediados no CES – em particular na área da justiça – sobre países de expressão oficial portuguesa, nomeadamente Angola e Moçambique (que incluem protocolos com várias Universidades e centros de pesquisa).
______________________________________
6.1.09
LE PATRIMOINE IMMATÉRIEL VERS L’ ÉSOTÈRISME.
Minuit express
Le patrimoine immatériel, par opposition au patrimoine matériel, aussi appelé patrimoine intangible ( par opposition au tangible ), devenu un terme à la mode comme le patrimoine vivant auquel il s’ apparente, a été introduit dans le dernier quart du XXème siècle pour faire contrepoids et consacrer la reconnaissance de patrimoines considérés, jusque là, comme des catégories inférieures, étendant ainsi le patrimoine, se décomposant en patrimoines historiques, naturel, bati, mobilier, culturel, religieux, militaire, ethnographique, industriel, artistique, touristique, et nous en passons …, au champs de la mémoire vivante , performante et reproductible, autrement dit le patrimoine vivant ( Conte, rituel, folklore … ), se détachant ainsi de l’ histoire de l’art pour camper dans les sciences de l’ environnement et dans l’ écologie humaine.
Autrefois fragmenté, le patrimoine culturel, dans son acceptation la plus large, ira jusqu’ à englober, dans certaines formes d’ intervention, comme c’ est le cas dans l’ écomusée ( Concept introduit vers 1970 ), la totalité des patrimonies d’ une communauté territoriale, sans distinction de genres: On parlera alors de patrimoine global incluant la totalité des us et coutumes, des caractéristiques territoriales et des oeuvres significatives produites dans cet espace, mettant l’ accent sur les interrelations plutôt que sur les spécificités. La pensée écomuséale, dans le rapport d’ une population à son patrimoine, non pas comme objet de consommation ( le patrimoine touristique ), mais comme outil favorisant le processus identitaire d’ appropriation, ira jusqu’ à introduire une catégorie fonctionnelle du patrimoine soit celle du <> ( Haute-Beauce ), élevant les traces matérielles et vivantes au niveau d’ une spiritualité ( Héritière, dans le cas de la Haute-Beauce, des Amérindiens ) seule capable de franchir les barrières ethno-linguistiques et territoriales.
Formes les plus parfaites, à notre avis, du patrimoine immatériel, les patrimoines de l’ élévation, construits à partir des résidus culturels matériels et immatétiels d’ un milieu, illuminant ceux-ci ( Le Ribat d’ Arrifana, par exemple ), elles sont de nature hautement symbolique et universelle, abolissant toute référence ethnocentrique privilégiée . Au terme de ce processus de démocratisation et de dématérialisation patrimoniale, l’ écomusée évolué propose d’ ériger une trace synthèse sous forme de créations dédiées à la communication entre peuples, populations: Tel est le réseau des Mâts, oasis culturels, implanté à la fin du siècle dernier sur trois continents, comme une expression de la culture durable.
Pierre Mayrand, pierremayrand@sapo.pt
Université du Québec à Montréal,
Écomusée de la Haute-Beauce,
Mouvement international pour une nouvelle muséologie,
Musée de Carrapateira, Pt.
Prix du Mérite d’ Héritage Canada.
Minuit express
Le patrimoine immatériel, par opposition au patrimoine matériel, aussi appelé patrimoine intangible ( par opposition au tangible ), devenu un terme à la mode comme le patrimoine vivant auquel il s’ apparente, a été introduit dans le dernier quart du XXème siècle pour faire contrepoids et consacrer la reconnaissance de patrimoines considérés, jusque là, comme des catégories inférieures, étendant ainsi le patrimoine, se décomposant en patrimoines historiques, naturel, bati, mobilier, culturel, religieux, militaire, ethnographique, industriel, artistique, touristique, et nous en passons …, au champs de la mémoire vivante , performante et reproductible, autrement dit le patrimoine vivant ( Conte, rituel, folklore … ), se détachant ainsi de l’ histoire de l’art pour camper dans les sciences de l’ environnement et dans l’ écologie humaine.
Autrefois fragmenté, le patrimoine culturel, dans son acceptation la plus large, ira jusqu’ à englober, dans certaines formes d’ intervention, comme c’ est le cas dans l’ écomusée ( Concept introduit vers 1970 ), la totalité des patrimonies d’ une communauté territoriale, sans distinction de genres: On parlera alors de patrimoine global incluant la totalité des us et coutumes, des caractéristiques territoriales et des oeuvres significatives produites dans cet espace, mettant l’ accent sur les interrelations plutôt que sur les spécificités. La pensée écomuséale, dans le rapport d’ une population à son patrimoine, non pas comme objet de consommation ( le patrimoine touristique ), mais comme outil favorisant le processus identitaire d’ appropriation, ira jusqu’ à introduire une catégorie fonctionnelle du patrimoine soit celle du <> ( Haute-Beauce ), élevant les traces matérielles et vivantes au niveau d’ une spiritualité ( Héritière, dans le cas de la Haute-Beauce, des Amérindiens ) seule capable de franchir les barrières ethno-linguistiques et territoriales.
Formes les plus parfaites, à notre avis, du patrimoine immatériel, les patrimoines de l’ élévation, construits à partir des résidus culturels matériels et immatétiels d’ un milieu, illuminant ceux-ci ( Le Ribat d’ Arrifana, par exemple ), elles sont de nature hautement symbolique et universelle, abolissant toute référence ethnocentrique privilégiée . Au terme de ce processus de démocratisation et de dématérialisation patrimoniale, l’ écomusée évolué propose d’ ériger une trace synthèse sous forme de créations dédiées à la communication entre peuples, populations: Tel est le réseau des Mâts, oasis culturels, implanté à la fin du siècle dernier sur trois continents, comme une expression de la culture durable.
Pierre Mayrand, pierremayrand@sapo.pt
Université du Québec à Montréal,
Écomusée de la Haute-Beauce,
Mouvement international pour une nouvelle muséologie,
Musée de Carrapateira, Pt.
Prix du Mérite d’ Héritage Canada.
5.1.09
31.12.08

Pensamientos antes del 2009
De:
Hugues de Varine (hdevarine@interactions-online.com)
Para:
'Oscar Navaja' (onavaja@nebrija.es)
Oscar, bonjour
Ce terme d'utopie revient souvent dans les textes, ou dans les discours des théoriciens qui parlent de l'écomusée comme d'une idéologie, ou qui le regardent comme un objet en soi. Cela me rend perplexe, car je ne vois dans les pratiques qu'il est commode d'appeler écomuséales que des réponses locales et partielles à des problèmes également locaux et partiels. Cette forme d'utilisation du capital patrimoine, à des fins culturelles, sociales et économiques, peut être inefficace, ou bien temporairement efficace, elle peut évoluer vers d'autres réponses et d'autres formes. Elle ne correspond pas, en elle-même, à une intention appuyée sur une théorie. Si c'était le cas, elle ne pourrait qu'être illusion.
Quant au travail communautaire, tout praticien du développement local sait bien – et ce n'est en aucune façon une utopie – que l'on ne peut espérer faire évoluer une société, maîtriser le changement sans associer les citoyens. Il est vrai que c'est difficile dans des sociétés de démocratie formelle comme les nôtres, mais c'est une condition sine qua non, que la crise mondiale actuelle confirme. Dire que c'est une utopie, c'est partir vaincu. Comme pour les écomusées, ou les musées communautaires, il y a heureusement suffisamment d'exemples de succès pour que l'on puisse dire et croire que c'est possible.
Tu reprends la formule patrimoine-communauté-développement, mais ce n'est pas forcément une équation qui donne le secret de l'écomusée, c'est simplement un principe général qui, une fois adopté et adapté au contexte local, fournir une clé d'utilisation de la ressource patrimoine.
Attention donc à des considérations tellement générales qu'elles oublient la réalité du terrain. Tu cites Anacostia: pendant les années 60 et 70, ce neighborhood museum a joué son rôle d'éveil de la confiance en soi d'une partie de la population noire du ghetto de Washington. Depuis, le musée, devenu national et "moderne" est à la tête d'un réseau d'une centaine de musée africains-américains locaux à travers tous les Etats-Unis. C'est un autre service à la communauté. Tu cites le Creusot: entre 1973 et 1984, l'écomusée a joué son rôle dans la construction de la communauté urbaine et a réellement établi le patrimoine industriel comme une ressource qui reste reconnue et utilisée, même en dehors d'un écomusée devenu un musée assez traditionnel. Tu cites enfin la Casa del Museo: c'était une expérience méthodologique très limitée, qui a échoué mais qui a servi de leçon à bien des muséologues mexicains et dans laquelle je vois le point de départ de bien des innovations telles que les musées scolaires et communautaires.
Je veux aussi prendre le contre-exemple de ce projet d'écomusée de l'espace dont tu nous as communiqué l'information: le mot écomusée est actuellement utilisé pour n'importe quoi, il n'est donc pas opérationnel. On ne peut pas en faire une théorie. Relisons cette phrase de l'Evangile: on reconnaît un arbre à ses fruits. Je reconnais un écomusée à la manière dont il atteint ses objectifs à partir des trois principes ci-dessus et aux résultats qu'il obtient pour la société qui lui a donné naissance.
De toute manière, le débat est intéressant et je te propose de mettre tes "pensiamentos" sur mon site. Es-tu d'accord ?
A bientôt en 2009
Hugues
Hugues de Varine
Consultant en développement communautaire F-21360 Lusigny-sur-Ouche
Tél. +33-(0)3.80.20.16.35
Visitez notre site / Visit our site http://www.interactions-online.com/
De:
Hugues de Varine (hdevarine@interactions-online.com)
Para:
'Oscar Navaja' (onavaja@nebrija.es)
Oscar, bonjour
Ce terme d'utopie revient souvent dans les textes, ou dans les discours des théoriciens qui parlent de l'écomusée comme d'une idéologie, ou qui le regardent comme un objet en soi. Cela me rend perplexe, car je ne vois dans les pratiques qu'il est commode d'appeler écomuséales que des réponses locales et partielles à des problèmes également locaux et partiels. Cette forme d'utilisation du capital patrimoine, à des fins culturelles, sociales et économiques, peut être inefficace, ou bien temporairement efficace, elle peut évoluer vers d'autres réponses et d'autres formes. Elle ne correspond pas, en elle-même, à une intention appuyée sur une théorie. Si c'était le cas, elle ne pourrait qu'être illusion.
Quant au travail communautaire, tout praticien du développement local sait bien – et ce n'est en aucune façon une utopie – que l'on ne peut espérer faire évoluer une société, maîtriser le changement sans associer les citoyens. Il est vrai que c'est difficile dans des sociétés de démocratie formelle comme les nôtres, mais c'est une condition sine qua non, que la crise mondiale actuelle confirme. Dire que c'est une utopie, c'est partir vaincu. Comme pour les écomusées, ou les musées communautaires, il y a heureusement suffisamment d'exemples de succès pour que l'on puisse dire et croire que c'est possible.
Tu reprends la formule patrimoine-communauté-développement, mais ce n'est pas forcément une équation qui donne le secret de l'écomusée, c'est simplement un principe général qui, une fois adopté et adapté au contexte local, fournir une clé d'utilisation de la ressource patrimoine.
Attention donc à des considérations tellement générales qu'elles oublient la réalité du terrain. Tu cites Anacostia: pendant les années 60 et 70, ce neighborhood museum a joué son rôle d'éveil de la confiance en soi d'une partie de la population noire du ghetto de Washington. Depuis, le musée, devenu national et "moderne" est à la tête d'un réseau d'une centaine de musée africains-américains locaux à travers tous les Etats-Unis. C'est un autre service à la communauté. Tu cites le Creusot: entre 1973 et 1984, l'écomusée a joué son rôle dans la construction de la communauté urbaine et a réellement établi le patrimoine industriel comme une ressource qui reste reconnue et utilisée, même en dehors d'un écomusée devenu un musée assez traditionnel. Tu cites enfin la Casa del Museo: c'était une expérience méthodologique très limitée, qui a échoué mais qui a servi de leçon à bien des muséologues mexicains et dans laquelle je vois le point de départ de bien des innovations telles que les musées scolaires et communautaires.
Je veux aussi prendre le contre-exemple de ce projet d'écomusée de l'espace dont tu nous as communiqué l'information: le mot écomusée est actuellement utilisé pour n'importe quoi, il n'est donc pas opérationnel. On ne peut pas en faire une théorie. Relisons cette phrase de l'Evangile: on reconnaît un arbre à ses fruits. Je reconnais un écomusée à la manière dont il atteint ses objectifs à partir des trois principes ci-dessus et aux résultats qu'il obtient pour la société qui lui a donné naissance.
De toute manière, le débat est intéressant et je te propose de mettre tes "pensiamentos" sur mon site. Es-tu d'accord ?
A bientôt en 2009
Hugues
Hugues de Varine
Consultant en développement communautaire F-21360 Lusigny-sur-Ouche
Tél. +33-(0)3.80.20.16.35
Visitez notre site / Visit our site http://www.interactions-online.com/
De:
Oscar Navaja (onavaja@nebrija.es)
Un nuevo "ecomuseo" nace en España
http://www.eldia.es/2008-12-28/palma/palma3.htm
http://iruene-la-palma.blogspot.com/2008/12/propuesta-de-un-ecomuseo-del-cosmos.html
Acabo de recibir la noticia. ¿qué se está haciendo con el concepto ecomuseo?
¿qué hacemos con el concepto ecomuseo?
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Oscar Navaja (onavaja@nebrija.es)
Un nuevo "ecomuseo" nace en España
http://www.eldia.es/2008-12-28/palma/palma3.htm
http://iruene-la-palma.blogspot.com/2008/12/propuesta-de-un-ecomuseo-del-cosmos.html
Acabo de recibir la noticia. ¿qué se está haciendo con el concepto ecomuseo?
¿qué hacemos con el concepto ecomuseo?
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Buscar el equilibrio social y eliminar cualquier tipo de diferencia racial que llegue ha existir entre las culturas, es uno de los objetivos principales que buscan los museos comunitarios, señaló el representante del Ecomuseo de Santa Cruz, Río de Janeiro, Brasil, Bruno Cruz de Almeida.